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Edição 164 - Março de 2001  

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Mesmo onde a fibra passa, são poucos os pontos de presença. Nos três Estados do Sul, por exemplo, a Brasil Telecom possui anéis óticos que atravessam a maioria dos principais municípios. Entretanto, não há capilaridade plena, isto é, o acesso local da fibra até a porta de uma indústria – a chamada last mile (última milha) – precisa ser executado às custas do cliente.

No caso da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), a rede de alta capacidade está presente em 152 municípios de um total de 497. Até há pouco tempo, essa estrutura era usada apenas pela rede de transporte de dados da própria companhia.

Portanto, os cabos chegam apenas até as estações da CRT. “Temos condições de estender a rede a partir de qualquer um desses pontos”, afirma o gerente de infra-estrutura da CRT, Jorge Borba. Para isso, o cliente precisa financiar a construção do trecho até sua porta e ainda pagar uma taxa (quilobitagem) pelo uso da planta interna. “Com os impostos, o quilômetro de fibra da CRT custa cerca de R$ 20 mil”, diz Borba. Em outras palavras, inicialmente terá fibra ótica na última milha quem puder pagar por ela.

Poder de comunicação – O argumento dos empresários do ramo para não multiplicar suas redes por todo o território nacional segue a velha lógica do mercado: ainda não existe demanda para o uso da fibra ótica. Para se ter uma idéia da poderosa capacidade de comunicação proporcionada por esse meio, é preciso fazer outra comparação. Hoje em dia, a maior parte das conversações telefônicas – ou mesmo o acesso à internet – é feita através de fios de cobre. São necessários 300 pares em um cabo para estabelecer 300 ligações. Com a fibra, usando-se apenas um par de fios conectado a um circuito STM-1, por exemplo, alcança-se velocidade suficiente para até 1.890 ligações simultâneas.

A implantação de um novo padrão, batizado com a sigla DWDM (Dense Wavelenght-Division Multiplexing), permitiu a muitas empresas oferecer soluções com velocidades que variam de 622 Mbps – cerca de 10 mil vezes a capacidade de um fio de cobre comum – até 10 gigabits por segundo (Gbps). Especialistas afirmam que, com a capacidade total de transmissão de uma única fibra (mais de um terabit por segundo), em tese, é possível enviar por ela toda a comunicação diária entre Rio e São Paulo, em um segundo, e ainda sobra espaço.

Mas tudo isso tem um custo – e alto – que a maioria das operadoras não está disposta a pagar sem o devido retorno. Se virtualmente um único par de fibra pode transportar sozinho boa parte de toda a comunicação telefônica do país, é verdade também que tamanha simplificação exigiria circuitos eletrônicos potentes o suficiente para organizar e rearranjar os dados, que trafegam nas redes “empacotados” e ordenados sob vários tipos de protocolo. Quanto menos fibra ótica para conduzir, maior é o custo dos equipamentos que ficam nas pontas dos cabos.

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     • Cabos por (quase) todos os lados
     • Muitos quilômetros para pouca fibra
     • Aonde a superestrada não chega
     
 
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