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Mesmo
onde a fibra passa, são poucos os pontos de presença.
Nos três Estados do Sul, por exemplo, a Brasil
Telecom possui anéis óticos que atravessam
a maioria dos principais municípios. Entretanto,
não há capilaridade plena, isto é,
o acesso local da fibra até a porta de uma indústria
a chamada last mile (última milha)
precisa ser executado às custas do cliente.
No caso da Companhia Riograndense de Telecomunicações
(CRT), a rede de alta capacidade está presente
em 152 municípios de um total de 497. Até
há pouco tempo, essa estrutura era usada apenas
pela rede de transporte de dados da própria companhia.
Portanto,
os cabos chegam apenas até as estações
da CRT. Temos condições de estender
a rede a partir de qualquer um desses pontos,
afirma o gerente de infra-estrutura da CRT, Jorge Borba.
Para isso, o cliente precisa financiar a construção
do trecho até sua porta e ainda pagar uma taxa
(quilobitagem) pelo uso da planta interna. Com
os impostos, o quilômetro de fibra da CRT custa
cerca de R$ 20 mil, diz Borba. Em outras palavras,
inicialmente terá fibra ótica na última
milha quem puder pagar por ela.
Poder
de comunicação O argumento
dos empresários do ramo para não multiplicar
suas redes por todo o território nacional segue
a velha lógica do mercado: ainda não existe
demanda para o uso da fibra ótica. Para se ter
uma idéia da poderosa capacidade de comunicação
proporcionada por esse meio, é preciso fazer
outra comparação. Hoje em dia, a maior
parte das conversações telefônicas
ou mesmo o acesso à internet é
feita através de fios de cobre. São necessários
300 pares em um cabo para estabelecer 300 ligações.
Com a fibra, usando-se apenas um par de fios conectado
a um circuito STM-1, por exemplo, alcança-se
velocidade suficiente para até 1.890 ligações
simultâneas.
A implantação de um novo padrão,
batizado com a sigla DWDM (Dense Wavelenght-Division
Multiplexing), permitiu a muitas empresas oferecer soluções
com velocidades que variam de 622 Mbps cerca
de 10 mil vezes a capacidade de um fio de cobre comum
até 10 gigabits por segundo (Gbps). Especialistas
afirmam que, com a capacidade total de transmissão
de uma única fibra (mais de um terabit por segundo),
em tese, é possível enviar por ela toda
a comunicação diária entre Rio
e São Paulo, em um segundo, e ainda sobra espaço.
Mas
tudo isso tem um custo e alto que a maioria
das operadoras não está disposta a pagar
sem o devido retorno. Se virtualmente um único
par de fibra pode transportar sozinho boa parte de toda
a comunicação telefônica do país,
é verdade também que tamanha simplificação
exigiria circuitos eletrônicos potentes o suficiente
para organizar e rearranjar os dados, que trafegam nas
redes empacotados e ordenados sob vários
tipos de protocolo. Quanto menos fibra ótica
para conduzir, maior é o custo dos equipamentos
que ficam nas pontas dos cabos.
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