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Edição 164 - Março de 2001  

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James Görgen

Você já parou para pensar em como pessoas e produtos poderiam ser levados aos mais distantes recantos do Brasil se não existissem estradas? É mais ou menos esse dilema que o Brasil enfrenta no momento em que precisa criar uma nova rede de tráfego, capaz de levar voz, texto, sons e imagens de um lado a outro do mundo. A empreitada passa por finíssimos fios transparentes que conduzem luz. Distribuídos por terra, mar e ar, eles são o agente menos visível de uma revolução tecnológica anunciada, mas pouco percebida: a construção da infra-estrutura de redes de fibra ótica – as infovias. Ao realizar uma chamada telefônica interurbana ou se conectar à internet, você está usando um sistema de alta velocidade em algum momento da comunicação.

Mas qual a extensão e por onde passa essa fibra poderosa, que se vale da velocidade da luz para executar o tráfego de dados? Pouca gente tem idéia exata. Para desvendar as rotas dessa malha de semicondutores, AMANHÃ ouviu mais de 20 executivos que comandam o processo e reuniu vários mapas, mostrando os caminhos dos chamados backbones. Conclusão do levantamento: todos querem os mesmos mercados, que passam longe dos municípios com menor capacidade de atração de investimentos, e têm dúvidas se devem compartilhar suas redes onde os negócios são mais rentáveis.

Numa comparação simples, o Brasil vive hoje o que já experimentou nos anos 70 para universalizar o acesso à energia elétrica. Naquele tempo, porém, os governos militares acreditavam em um Brasil grande, com um Estado forte, e injetaram bilhões de dólares no projeto de iluminar o país. Agora, a tarefa está nas mãos do setor privado, e quase não há recursos públicos para financiar o projeto. Pesquisa do instituto norte-americano Yankee Group mostra que o mercado de banda larga vai movimentar, na América Latina, cerca de US$ 3 bilhões ao final deste ano, podendo chegar a US$ 21 bilhões em 2006. Dinheiro que, aqui, pelo andar da carruagem, deverá circular nos centros urbanos de sempre. “Este vai ser o ano da expansão dos serviços, e não do avanço geográfico”, observa o presidente da MetroRED, José Jardim.

Prefeitos de cidades do interior e dirigentes de empresas de pequeno e médio porte distantes do centro do Brasil terão de se contentar com formas alternativas de acesso à banda larga (leia texto “Aonde a superestrada não chega”), enquanto a tal fibra não aparece. Outra solução é torcer ou fazer tudo o que estiver ao alcance da região para que uma grande corporação resolva instalar uma unidade em seu município. Nenhuma das empresas ouvidas por AMANHÃ demonstrou interesse em estender sua rede de fibra ótica até locais afastados das principais capitais, a não ser que um de seus clientes exija essa solução. E pague por isso.

Concentração Observando o mapa montado por AMANHÃ, a partir das informações das companhias, é possível concluir que a maior parte dos investimentos, num primeiro momento, passa ao largo de cidades como Florianópolis e Blumenau, em Santa Catarina, Manaus, no Amazonas, ou mesmo a industrializada Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. “Teremos uma briga de dez anos para disponibilizar infra-estrutura por todo o país”, prevê o diretor-superintendente da Engeredes, Lourival Jorge Teixeira, que administra um dos maiores backbones do Brasil. O executivo confirma que os investimentos de sua empresa, em 2001, estarão concentrados nas principais cidades do interior de São Paulo e em alguns municípios da Região Sul.

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     • Cabos por (quase) todos os lados
     • Muitos quilômetros para pouca fibra
     • Aonde a superestrada não chega
     
 
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