James Görgen |
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Você
já parou para pensar em como pessoas e produtos poderiam
ser levados aos mais distantes recantos do Brasil se não
existissem estradas? É mais ou menos esse dilema que o Brasil
enfrenta no momento em que precisa criar uma nova rede de tráfego,
capaz de levar voz, texto, sons e imagens de um lado a outro do
mundo. A empreitada passa por finíssimos fios transparentes
que conduzem luz. Distribuídos por terra, mar e ar, eles
são o agente menos visível de uma revolução
tecnológica anunciada, mas pouco percebida: a construção
da infra-estrutura de redes de fibra ótica as infovias.
Ao realizar uma chamada telefônica interurbana ou se conectar
à internet, você está usando um sistema de alta
velocidade em algum momento da comunicação.
Mas qual a extensão e por onde passa essa fibra poderosa,
que se vale da velocidade da luz para executar o tráfego
de dados? Pouca gente tem idéia exata. Para desvendar as
rotas dessa malha de semicondutores, AMANHÃ ouviu mais de
20 executivos que comandam o processo e reuniu vários mapas,
mostrando os caminhos dos chamados backbones. Conclusão do
levantamento: todos querem os mesmos mercados, que passam longe
dos municípios com menor capacidade de atração
de investimentos, e têm dúvidas se devem compartilhar
suas redes onde os negócios são mais rentáveis.
Numa
comparação simples, o Brasil vive hoje o que já
experimentou nos anos 70 para universalizar o acesso à energia
elétrica. Naquele tempo, porém, os governos militares
acreditavam em um Brasil grande, com um Estado forte, e injetaram
bilhões de dólares no projeto de iluminar o país.
Agora, a tarefa está nas mãos do setor privado, e
quase não há recursos públicos para financiar
o projeto. Pesquisa do instituto norte-americano Yankee Group mostra
que o mercado de banda larga vai movimentar, na América Latina,
cerca de US$ 3 bilhões ao final deste ano, podendo chegar
a US$ 21 bilhões em 2006. Dinheiro que, aqui, pelo andar
da carruagem, deverá circular nos centros urbanos de sempre.
Este vai ser o ano da expansão dos serviços,
e não do avanço geográfico, observa o
presidente da MetroRED, José Jardim.
Prefeitos
de cidades do interior e dirigentes de empresas de pequeno e médio
porte distantes do centro do Brasil terão de se contentar
com formas alternativas de acesso à banda larga (leia texto
Aonde a superestrada não chega), enquanto a tal
fibra não aparece. Outra solução é torcer
ou fazer tudo o que estiver ao alcance da região para que
uma grande corporação resolva instalar uma unidade
em seu município. Nenhuma das empresas ouvidas por AMANHÃ
demonstrou interesse em estender sua rede de fibra ótica
até locais afastados das principais capitais, a não
ser que um de seus clientes exija essa solução. E
pague por isso.
Concentração
Observando o mapa montado por AMANHÃ, a partir das informações
das companhias, é possível concluir que a maior parte
dos investimentos, num primeiro momento, passa ao largo de cidades
como Florianópolis e Blumenau, em Santa Catarina, Manaus,
no Amazonas, ou mesmo a industrializada Caxias do Sul, no Rio Grande
do Sul. Teremos uma briga de dez anos para disponibilizar
infra-estrutura por todo o país, prevê o diretor-superintendente
da Engeredes, Lourival Jorge Teixeira, que administra um dos maiores
backbones do Brasil. O executivo confirma que os investimentos de
sua empresa, em 2001, estarão concentrados nas principais
cidades do interior de São Paulo e em alguns municípios
da Região Sul.
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