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Vindo da Nova Zelândia, que
é considerada uma economia periférica,
o sr. acredita que é possível conciliar
os objetivos de todos os países?
Podemos apenas melhorar a situação. Leva-se
uma vida para alcançar a perfeição.
E é claro que existem imperfeições,
injustiças. Se você fala com os homens
de negócios no Brasil ou na África, ou
com os ministros asiáticos, cada país
sente que está sendo discriminado em alguma área.
E eles normalmente estão certos. É exatamente
por isso que você tem de começar a negociar
e tentar resolver essas injustiças. Os produtores
agrícolas acham que o seu produto deveria ser
tratado como qualquer outro. E há países
para os quais a agricultura é mais cultura
do que agri. Trata-se da cultura de preservação
da própria sociedade. É preciso tentar
alcançar uma convergência e um equilíbrio.
Vale lembrar que, há cinco ou seis anos, a agricultura
nem fazia parte dos acordos. E há dez anos nós
não tínhamos um mecanismo para solucionar
disputas. A OMC é uma nova organização
que está evoluindo.
Qual
é o futuro nessa área? As discussões
no campo da agricultura estão progredindo?
Estamos nos movendo em todas as frentes, suave e determinadamente.
Tratando a agricultura como tema isolado, não
iremos adiante. A agricultura precisa ser equilibrada
com muitos outros itens, com os serviços e novas
áreas, como a facilitação do comércio.
Estudos mostram que a economia mundial ganhará
muito mais se fizer algo concreto para a abertura comercial
em vez de terrorismo. Mas isso é extremamente
complexo. Muitos governos não têm capacidade
para enfrentar os problemas técnicos em que estão
envolvidos. Todos percebem a lógica de ter mais
transparência na intervenção governamental.
Mesmo as políticas de competição
são bem vistas, mas muitos países nem
possuem tais políticas. Como poderão tomar
parte numa longa e crescente discussão internacional?
Considerando a política de competição,
o que um país faz provoca impactos em outros
países. Mas esse debate ainda não está
maduro. As fusões de companhias aéreas,
de bancos, podem significar quase nada numa grande economia,
mas, quando um dos dois bancos realinha seus serviços
numa economia menor, o que acontece? É preciso
olhar para o futuro. Eu acredito que a discussão
no setor agrícola está avançando.
Se não avançar, a próxima rodada
pode já estar terminada. Essa seria a pior imagem.
Nós podemos dar início às discussões
e manter a agricultura como tema principal, ao lado
da implementação de medidas e dos serviços,
que também são fundamentais. Os países
em desenvolvimento estão mais organizados.
Onde o sr. constata essa melhor organização?
É que os países em desenvolvimento já
aprenderam com base em experiências anteriores.
E muitos deles têm seus próprios sistemas
para analisar os impactos e as aplicações
das medidas econômicas. Isso está funcionando
bem. Muitos pequenos países estão focados
no tema da agricultura. Vêem que ela é
parte do coquetel do desenvolvimento, que esta será
a rodada do desenvolvimento. Existe um déficit
nessa área.
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