Voltar para página inicial
Edição 164 - Março de 2001  

    Matéria de Capa
    Wired
    Entrevista
    Especial
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Dê sua opinião Indique este texto

Vindo da Nova Zelândia, que é considerada uma economia periférica, o sr. acredita que é possível conciliar os objetivos de todos os países?
Podemos apenas melhorar a situação. Leva-se uma vida para alcançar a perfeição. E é claro que existem imperfeições, injustiças. Se você fala com os homens de negócios no Brasil ou na África, ou com os ministros asiáticos, cada país sente que está sendo discriminado em alguma área. E eles normalmente estão certos. É exatamente por isso que você tem de começar a negociar e tentar resolver essas injustiças. Os produtores agrícolas acham que o seu produto deveria ser tratado como qualquer outro. E há países para os quais a agricultura é mais “cultura” do que “agri”. Trata-se da cultura de preservação da própria sociedade. É preciso tentar alcançar uma convergência e um equilíbrio. Vale lembrar que, há cinco ou seis anos, a agricultura nem fazia parte dos acordos. E há dez anos nós não tínhamos um mecanismo para solucionar disputas. A OMC é uma nova organização que está evoluindo.

Qual é o futuro nessa área? As discussões no campo da agricultura estão progredindo?
Estamos nos movendo em todas as frentes, suave e determinadamente. Tratando a agricultura como tema isolado, não iremos adiante. A agricultura precisa ser equilibrada com muitos outros itens, com os serviços e novas áreas, como a facilitação do comércio. Estudos mostram que a economia mundial ganhará muito mais se fizer algo concreto para a abertura comercial em vez de terrorismo. Mas isso é extremamente complexo. Muitos governos não têm capacidade para enfrentar os problemas técnicos em que estão envolvidos. Todos percebem a lógica de ter mais transparência na intervenção governamental. Mesmo as políticas de competição são bem vistas, mas muitos países nem possuem tais políticas. Como poderão tomar parte numa longa e crescente discussão internacional? Considerando a política de competição, o que um país faz provoca impactos em outros países. Mas esse debate ainda não está maduro. As fusões de companhias aéreas, de bancos, podem significar quase nada numa grande economia, mas, quando um dos dois bancos realinha seus serviços numa economia menor, o que acontece? É preciso olhar para o futuro. Eu acredito que a discussão no setor agrícola está avançando. Se não avançar, a próxima rodada pode já estar terminada. Essa seria a pior imagem. Nós podemos dar início às discussões e manter a agricultura como tema principal, ao lado da implementação de medidas e dos serviços, que também são fundamentais. Os países em desenvolvimento estão mais organizados.

Onde o sr. constata essa melhor organização?
É que os países em desenvolvimento já aprenderam com base em experiências anteriores. E muitos deles têm seus próprios sistemas para analisar os impactos e as aplicações das medidas econômicas. Isso está funcionando bem. Muitos pequenos países estão focados no tema da agricultura. Vêem que ela é parte do coquetel do desenvolvimento, que esta será a rodada do desenvolvimento. Existe um déficit nessa área.

 
Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo