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Edição 164 - Março de 2001  

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Domínio - Isso quer dizer que Bill Gates perdeu o sono? Não é bem assim. Acredita-se que o número de usuários do GNU/Linux ao redor do globo esteja em 20 milhões. Estima-se, também, que existam cerca de 100 mil desenvolvedores de software livre no mundo. Porém, mesmo com o apoio que empresas como Sun, Dell, IBM, HP e Compaq estão dando ao sistema, o Windows continua com domínio absoluto. Segundo avaliação da International Data Corporation (IDC), o Windows roda em 92% de todos os PCs vendidos em 2000. Já a fatia do GNU/Linux está longe de incomodar a Microsoft. Foi de 2%, apesar do crescimento de 25% sobre 1999.

Desenvolvedores do Conectiva/Linux, na sede da empresa, em Curitiba: faturamento de R$ 1,5 milhão em 1999 e crescimento a taxas de 250% ao ano

A situação é bem diversa quando o assunto é a área de servidores - aqueles computadores com grande capacidade de processamento e que alimentam uma rede de PCs. As versões corporativas do Windows respondem por 41% do mercado (aumentaram 20%), enquanto o GNU/Linux já está abocanhando 27% (incremento de 24%). Para Al Gillen, da IDC, os resultados da pesquisa demonstram que o GNU/Linux não pode mais ser considerado um modismo passageiro.

A opinião é reforçada pelos dados de outro instituto de pesquisas, o Netcraft, que vai mais a fundo e separa a participação de Windows e Linux por países e também por tipo de aplicação. De acordo com a Netcraft, que em fevereiro divulgou um levantamento feito com 28 milhões de sites, as preferências em tecnologia variam tremendamente de país para país.

Nessa área de e-business, por sinal, o GNU/Linux já é o sistema operacional mais usado no Japão e na Alemanha, nas transações SSL (canal de comunicação criptografado, bastante empregado no comércio eletrônico). Em compensação, a companhia de Bill Gates lidera fortemente nos países de língua inglesa, com aproximadamente 55% do mercado nos Estados Unidos e no Reino Unido.

A verdadeira ameaça, contudo, não se dá em termos de participação de mercado. A questão não é se o Windows e outros softwares proprietários vão desaparecer ou não, mas sim apurar quais as conseqüências para a indústria, tendo em vista a ascensão do modelo que propõe a abertura do código-fonte.

Paradigma - Quando informática ainda se chamava processamento de dados, as altas cifras do negócio estavam do lado dos fabricantes de hardware. Naquela época, software era gratuito e tinha o código-fonte aberto. O advento do PC - o padrão aberto do mundo do hardware - levou à popularização do computador. O preço caiu tremendamente, e o eixo do business passou para os programas. Ao mesmo tempo, a Microsoft foi alçada às alturas com seu sistema fechado, baseado no pagamento de licença.

"Agora há uma nova mudança de paradigma", defende Sandro Nunes Henrique, CEO da Conectiva, um dos quatro maiores distribuidores GNU/Linux no mundo - o principal em língua latina. Baseada em Curitiba, a empresa faturou R$ 1,5 milhão em 1999 e vem crescendo a taxas anuais de 250%, índice que também é a meta para 2001. "O software livre é o PC da indústria do software." Se é assim, para onde vai o business desta vez? A caixa do Conectiva/Linux, por exemplo, sai por R$ 88, mas o programa pode ser baixado de graça do site da empresa.

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     • O que é software livre / Aposta de US$ 1 bilhão
     • GNU não é Linux / "O software livre encoraja a solidariedade"
     
 
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