James Görgen |
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O que deveria ser um novo passo para a abertura do setor de telecomunicações
no Brasil naufragou em parte no final de janeiro. Com o fracasso
da venda das três autorizações da banda C, o
mercado de telefonia celular ficou sabendo de duas coisas: 1) os
grandes grupos internacionais que viriam se instalar no país
não estão tão interessados assim; 2) os grupos
que já operam por aqui estão mais interessados em
comprar operadoras existentes do que em criar empresas do zero.
As duas notícias nada agradáveis para as pretensões
do governo, que esperava arrecadar R$ 2,3 bilhões com as
primeiras três licenças, revelaram um outro problema.
O processo pode exigir mudanças antes de se implantar um
conjunto único de regras de prestação de serviços.
Caso contrário, a lista de interessados nos leilões
contará apenas com aquelas teles fixas que também
querem o segmento de telefonia sem fio. Tudo o que os atores desse
episódio sabem é que a freada no ritmo dos leilões
colocou em xeque a idéia de que a implantação
do Serviço Móvel Pessoal (SMP) poderia atrair mais
investidores para a telefonia celular do país.
Mas o resultado foi diferente do esperado. Otimista, o governo
federal pretendia criar outras nove empresas para disputar clientes.
Em termos estratégicos, a intenção era substituir
o regulado Serviço Móvel Celular (SMC), em que se
enquadram hoje as 22 operadoras que já atuam nas bandas A
e B, pelo flexível SMP nas bandas C, D e E e esperar a migração
das telefônicas antigas. Na prática, em cada região-alvo
da licitação (Norte-Leste, Centro-Sul e São
Paulo), existiriam em breve três novas empresas celulares.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
anunciou que esperava um preço mínimo de R$ 6,73 bilhões
pelas nove outorgas. O primeiro dos leilões das três
bandas deveria ocorrer em 30 de janeiro. Todos pareciam estar de
acordo: os vitoriosos entre as 78 pessoas físicas e empresas
que compraram os editais de licitação garantiriam
espaço antes da abertura total do mercado, em 2002. Ao mesmo
tempo, preparariam terreno para futuras concentrações
empresariais, assegurando a maior presença possível
no território brasileiro.
Nesse mar de siglas, datas e valores, o usuário comum pode
estar se perguntando o que realmente vai mudar na telefonia celular,
a partir deste ano, do ponto de vista do serviço que recebe.
Pouca coisa, respondem os especialistas que não têm
compromisso com o sucesso do leilão. No tocante à
tecnologia, por exemplo, não existirá nenhuma mudança
digna de nota. Operando com a tecnologia Global System for Mobile
Communications (GSM), as operadoras das bandas C, D e E, teoricamente,
terão maior capacidade de transmissão de dados. Como
a maioria dos serviços de comunicação wireless
existentes (torpedo, e-mails e notícias) não se valem
de toda a capacidade disponível, o GSM acabará operando
no Brasil de forma idêntica aos serviços oferecidos
nos sistemas atuais. Tecnicamente, para o cidadão,
não haverá diferença entre o antigo sistema
e o novo, assegura o representante da Anatel.
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