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Maria Natividade de Paula é o tipo de profissional que toda
empresa quer ter. Chega ao escritório antes das 8h, quando
o expediente, na verdade, começa às 9h. Muitos desligam
os computadores e largam tudo que estão fazendo às
18h, mas ela não sai enquanto não encerra todos os
compromissos agendados, o que dificilmente acontece antes das 20h.
Trabalhar no fim de semana não é problema. Especialista
em redes de comunicação e coordenadora do suporte
técnico de um banco, Natividade participa das atualizações
feitas no sistema, o que só pode acontecer aos sábados,
domingos ou madrugadas. As metas de produtividade estabelecidas
pela empresa são puxadas, mas existem as recompensas anunciadas
pelo plano de carreira. Com pouco menos de quarenta anos de idade
- quase vinte dedicados à empresa -, o salário dela
é de mais de R$ 5 mil. E os dois únicos cargos acima
- gerência de suporte e diretoria - podem lhe render ganhos
até 50% superiores.
A situação acima não é o presente de
Maria Natividade. Corresponde ao momento em que ela vivia em 1996,
quando viu sua carreira subitamente interrompida. Uma tendinite
a levou ao afastamento do trabalho por 15 dias. Só que ela
nunca mais voltaria a exercer a profissão. Já naquela
época, Natividade vinha trabalhando com dores nas mãos
e nos braços. Chegou a procurar vários médicos,
mas os diagnósticos, que nunca estabeleceram ligação
entre o quadro clínico e sua atividade profissional, contribuíram
para agravar a situação.
Aposentada por invalidez, Natividade é incapaz de desempenhar
qualquer atividade produtiva. Com os tendões, músculos
e nervos dos membros superiores seriamente comprometidos, ações
corriqueiras como abrir uma garrafa de água, passar batom
ou girar a maçaneta da porta tornaram-se dolorosas, quando
não impossíveis. Recentemente, começou a se
dedicar à pintura. Não é algo que os médicos
recomendam: o esforço para segurar o pincel pode agravar
as lesões. Ela leva meses para concluir um quadro, mas é
uma forma de esquecer a dor. "Fui uma vítima do excesso
de trabalho", admite a ex-funcionária do Banco do Estado
do Paraná (Banestado). Atualmente, Natividade preside uma
associação de pessoas que, como ela, sofrem de uma
síndrome que se torna incurável se não for
diagnosticada corretamente, as Lesões por Esforços
Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Rela-cionados
ao Trabalho (Dort).
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