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Edição 163 - Fevereiro 2001  

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Romeu de Bruns Neto 

Maria Natividade de Paula é o tipo de profissional que toda empresa quer ter. Chega ao escritório antes das 8h, quando o expediente, na verdade, começa às 9h. Muitos desligam os computadores e largam tudo que estão fazendo às 18h, mas ela não sai enquanto não encerra todos os compromissos agendados, o que dificilmente acontece antes das 20h. Trabalhar no fim de semana não é problema. Especialista em redes de comunicação e coordenadora do suporte técnico de um banco, Natividade participa das atualizações feitas no sistema, o que só pode acontecer aos sábados, domingos ou madrugadas. As metas de produtividade estabelecidas pela empresa são puxadas, mas existem as recompensas anunciadas pelo plano de carreira. Com pouco menos de quarenta anos de idade - quase vinte dedicados à empresa -, o salário dela é de mais de R$ 5 mil. E os dois únicos cargos acima - gerência de suporte e diretoria - podem lhe render ganhos até 50% superiores.

A situação acima não é o presente de Maria Natividade. Corresponde ao momento em que ela vivia em 1996, quando viu sua carreira subitamente interrompida. Uma tendinite a levou ao afastamento do trabalho por 15 dias. Só que ela nunca mais voltaria a exercer a profissão. Já naquela época, Natividade vinha trabalhando com dores nas mãos e nos braços. Chegou a procurar vários médicos, mas os diagnósticos, que nunca estabeleceram ligação entre o quadro clínico e sua atividade profissional, contribuíram para agravar a situação.

Aposentada por invalidez, Natividade é incapaz de desempenhar qualquer atividade produtiva. Com os tendões, músculos e nervos dos membros superiores seriamente comprometidos, ações corriqueiras como abrir uma garrafa de água, passar batom ou girar a maçaneta da porta tornaram-se dolorosas, quando não impossíveis. Recentemente, começou a se dedicar à pintura. Não é algo que os médicos recomendam: o esforço para segurar o pincel pode agravar as lesões. Ela leva meses para concluir um quadro, mas é uma forma de esquecer a dor. "Fui uma vítima do excesso de trabalho", admite a ex-funcionária do Banco do Estado do Paraná (Banestado). Atualmente, Natividade preside uma associação de pessoas que, como ela, sofrem de uma síndrome que se torna incurável se não for diagnosticada corretamente, as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Rela-cionados ao Trabalho (Dort).

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