|
São 7h45 de uma manhã em que, no lotado salão
de conferências do Hotel Sheraton Sunnyvale, realiza-se o
primeiro encontro de vice-presidentes da Jamcracker, uma nova empresa
provedora de serviços aplicativos (ASP). Seu co-fundador,
K. B. Chandrasekhar conhecido como Chandra , está
contando aos novos funcionários como seu último empreendimento
fracassou. Estávamos flertando com a falência,
e as pessoas não sabiam nem se receberiam seu próximo
contracheque, relata Chandra. Os vice-presidentes já
sabiam como a história tinha acabado: a companhia de que
Chandra está falando, a Exodus Communications, sobreviveu
e se tornou pioneira no complexo mundo da hospedagem de sites na
internet.
Desta vez, o problema não é a folha de pagamento.
Graças à reputação de Chandra, a Jamcracker
arrecadou mais de US$ 142 milhões junto a fundos de investimento.
O talento do executivo em transmitir o poder de uma idéia
dom que o transformou de anônimo imigrante indiano
nos Estados Unidos em bilionário utopista se confirma
agora em seu impressionante currículo. É ele também
a pessoa que notou a falta de infra-estrutura na internet e ajudou
a fundar uma companhia de US$ 25 bilhões que hoje pretende
construir o que está faltando para a rede. A conhecida
habilidade de Chandra para colocar em execução um
negócio novo e de crescimento rápido está acima
de qualquer dúvida, rasga seda Neal Moszkowski, da
Soros Private Equity Partners, a última e maior investidora
do projeto Jamcracker.
Mesmo com tanto dinheiro no banco, Chandra está nervoso.
Ele sabe que o pedigree da Jamcracker não é garantia
de farto mercado para uma companhia que aposta na prestação
de serviços fornecendo programas pela internet. É
que no ramo do chamado ASP aplication service provider ou,
literalmente, provedor de serviços aplicativos os
lucros ainda estão distantes. Tampouco há um consenso
sobre a melhor maneira de prestar o serviço, baseado na transmissão
on-line de aplicativos*. Mas, financeiramente, a coisa promete.
Analistas prevêem lucros de US$ 25 bilhões para o segmento
até o final de 2003, saltando de um patamar de praticamente
zero no ano passado para vendas em todo o mundo. Em resposta, centenas
de novas companhias algumas administrando e integrando programas
padronizados para disponibilizá-los via internet, outras
criando aplicativos baseados na rede estão competindo
com os grandes fabricantes de programas, empresas de telecomunicações
e provedores.
Onde a Jamcracker entra? Ela já é uma espécie
de agregador ou intermediário de dezenas de serviços
disponíveis. Reunindo, em um único pacote, programas
desenvolvidos por diversas companhias para administrar assuntos
como contabilidade, recursos humanos e folha de pagamento, a Jamcracker
os vende a empresas interessadas em pagar uma taxa mensal pela sua
utilização. Não é a única companhia
a fazer isso, mas é a líder norte-americana em fundos,
reputação e reconhecimento, além de possuir
o maior programa de integração avançada da
indústria.
A visão que Chandra tem da Jamcracker vai além do
estabelecimento de um negócio que sobreviverá a este
momento caótico e às prováveis conseqüências
que a indústria de softwares e aplicativos enfrentará
em seguida. O GartnerGroup estima que 60% das 500 melhores companhias
do setor estarão fora do negócio de ASP em 2002. Chandra
quer remodelar o mundo de programas de computador, posicionando
a Jamcracker como um portal universal de conexões eletrônicas
hospedagem de aplicativos, programas de comércio e
cadeias de fornecedores, mercados de ações ,
tudo convergindo em uma rede integrada. Em resumo, Chandra quer
tornar os programas invisíveis. Em cinco anos, ninguém
mais falará de aplicativos, prescreve. Quando
isso acontecer, obteremos o tipo de retorno que fará do serviço
de hospedagem a próxima mudança revolucionária
da era dos computadores, ao lado do desenvolvimento dos computadores
pessoais, dos provedores e dos centros de dados.
|