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Edição 162 - Janeiro de 2001  

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Edward Cone

São 7h45 de uma manhã em que, no lotado salão de conferências do Hotel Sheraton Sunnyvale, realiza-se o primeiro encontro de vice-presidentes da Jamcracker, uma nova empresa provedora de serviços aplicativos (ASP). Seu co-fundador, K. B. Chandrasekhar – conhecido como Chandra –, está contando aos novos funcionários como seu último empreendimento fracassou. “Estávamos flertando com a falência, e as pessoas não sabiam nem se receberiam seu próximo contracheque”, relata Chandra. Os vice-presidentes já sabiam como a história tinha acabado: a companhia de que Chandra está falando, a Exodus Communications, sobreviveu e se tornou pioneira no complexo mundo da hospedagem de sites na internet.

Desta vez, o problema não é a folha de pagamento. Graças à reputação de Chandra, a Jamcracker arrecadou mais de US$ 142 milhões junto a fundos de investimento. O talento do executivo em transmitir o poder de uma idéia – dom que o transformou de anônimo imigrante indiano nos Estados Unidos em bilionário utopista – se confirma agora em seu impressionante currículo. É ele também a pessoa que notou a falta de infra-estrutura na internet e ajudou a fundar uma companhia de US$ 25 bilhões que hoje pretende construir o que está faltando para a rede. “A conhecida habilidade de Chandra para colocar em execução um negócio novo e de crescimento rápido está acima de qualquer dúvida”, rasga seda Neal Moszkowski, da Soros Private Equity Partners, a última e maior investidora do projeto Jamcracker.

Mesmo com tanto dinheiro no banco, Chandra está nervoso. Ele sabe que o pedigree da Jamcracker não é garantia de farto mercado para uma companhia que aposta na prestação de serviços fornecendo programas pela internet. É que no ramo do chamado ASP –aplication service provider ou, literalmente, provedor de serviços aplicativos – os lucros ainda estão distantes. Tampouco há um consenso sobre a melhor maneira de prestar o serviço, baseado na transmissão on-line de aplicativos*. Mas, financeiramente, a coisa promete. Analistas prevêem lucros de US$ 25 bilhões para o segmento até o final de 2003, saltando de um patamar de praticamente zero no ano passado para vendas em todo o mundo. Em resposta, centenas de novas companhias – algumas administrando e integrando programas padronizados para disponibilizá-los via internet, outras criando aplicativos baseados na rede – estão competindo com os grandes fabricantes de programas, empresas de telecomunicações e provedores.

Onde a Jamcracker entra? Ela já é uma espécie de agregador ou intermediário de dezenas de serviços disponíveis. Reunindo, em um único pacote, programas desenvolvidos por diversas companhias para administrar assuntos como contabilidade, recursos humanos e folha de pagamento, a Jamcracker os vende a empresas interessadas em pagar uma taxa mensal pela sua utilização. Não é a única companhia a fazer isso, mas é a líder norte-americana em fundos, reputação e reconhecimento, além de possuir o maior programa de integração avançada da indústria.

A visão que Chandra tem da Jamcracker vai além do estabelecimento de um negócio que sobreviverá a este momento caótico e às prováveis conseqüências que a indústria de softwares e aplicativos enfrentará em seguida. O GartnerGroup estima que 60% das 500 melhores companhias do setor estarão fora do negócio de ASP em 2002. Chandra quer remodelar o mundo de programas de computador, posicionando a Jamcracker como um portal universal de conexões eletrônicas – hospedagem de aplicativos, programas de comércio e cadeias de fornecedores, mercados de ações –, tudo convergindo em uma rede integrada. Em resumo, Chandra quer tornar os programas invisíveis. “Em cinco anos, ninguém mais falará de aplicativos”, prescreve. “Quando isso acontecer, obteremos o tipo de retorno que fará do serviço de hospedagem a próxima mudança revolucionária da era dos computadores, ao lado do desenvolvimento dos computadores pessoais, dos provedores e dos centros de dados.”

 
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