Fernanda Zanuzzi e
Cibele Buoro |
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Antes de avaliar se você está preparado para a aposentadoria,
preste atenção nesta série de dados, colhidos
em estudos recentes:
- 5,5 milhões de brasileiros continuam trabalhando depois
de se aposentar. Isso significa que um em cada quatro inativos
permanece batendo ponto.
- Entre 1996 e 1999, a população de aposentados
à procura de emprego cresceu 53,2%. No mesmo período,
o pacote de benefícios previdenciários concedidos
no país aumentou 10,3%.
- Seis em cada dez trabalhadores brasileiros ou 38 milhões
de pessoas não têm direito à Previdência
pelo INSS, enquanto outras 7,9 milhões de pessoas chegam
lá com proventos de apenas um salário mínimo.
- 90% da população economicamente ativa do planeta
não está coberta por programas capazes de proporcionar
renda suficiente para o cidadão se manter na idade madura.
- De acordo com a Organização Internacional do Trabalho
(OIT), dentro de poucos anos será difícil bancar
sistemas de previdência pública, mesmo em países
onde a cobertura é praticamente universal e os programas
são bem administrados, como Estados Unidos, Canadá,
Austrália, Europa Ocidental e Japão.
Para escapar desse tipo de profecia, mais e mais pessoas estão
sendo levadas a apostar em um plano B ou melhor,
um plano de previdência complementar. É gente como
o estatístico Elton Urici, 31 anos. Atuando como profissional
liberal desde março de 2000, Urici já fez os cálculos:
quer parar, exatamente, no ano 2027, com uma renda mensal de R$
2,5 mil. Ele não pretende esperar por nenhum milagre. Além
de contribuir desde os 15 anos com o INSS, o que lhe dará
o direito ao teto de dez salários mínimos por mês
quando completar 63, há três anos Urici separa R$ 200
de seu orçamento e aplica, religiosamente, em um plano privado
de previdência. Espero ter uma velhice mais tranqüila
e pretendo gastar todo meu rendimento em viagens, projeta.
Urici aderiu a um plano de previdência aberta, que, ao lado
dos fundos fechados os famosos fundos de pensão ,
compõe o chamado sistema de previdência complementar.
Criada em 1977 e mantida pela Constituição de 1988,
a previdência complementar é um sistema privado que,
no Brasil, está sendo idealizado para compor um regime misto,
ou integrado, de aposentadoria. Ao contrário do que acontece
no Chile, onde o sistema migrou inteiro para o modelo privado, a
intenção aqui é preservar o regime público,
com teto de dez salários mínimos, destinado para todos
os trabalhadores. Quem quiser e puder engordar a aposentadoria,
será estimulado a procurar as alternativas privadas.
O crescente número de pessoas fazendo isso já está
criando um negócio e tanto. A previdência privada
é um dos segmentos que mais se desenvolvem no Brasil,
anima-se Carlos Ximenes de Mello, presidente do Unibanco AIG Previdência.
A expectativa da Associação Brasileira de Previdência
Privada (Abrapp) é de que as reservas da previdência
complementar cheguem a R$ 500 bilhões em 2007, envolvendo
mais de 15 milhões de trabalhadores. Atualmente, o volume
alcança R$ 150 bilhões, beneficiando em torno de 6
milhões de brasileiros.
A maior fatia do bolo está nas mãos dos fundos de
pensão. Com participação restrita aos funcionários
das companhias que os patrocinam, seus ativos somam perto de R$
130 bilhões. São a forma mais antiga de previdência
complementar no Brasil, oferecida por mais de 2 mil empresas. Do
final de 1995 até dezembro de 1998, o clube dos fundos fechados
ganhou 550 adesões, mas o número total de inscritos
no sistema teve uma redução de mais de 60 mil pessoas,
constata o professor Flávio Marcílio Rabelo, da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), autor do estudo Gestão
e Desempenho dos Fundos de Pensão no Brasil. Ele atribui
a evasão à incerteza sobre as regras de tributação
que deverão ser aplicadas à poupança previdenciária
assunto que só será resolvido com outra reforma
complicada, a tributária.
Enquanto isso, toma fôlego a previdência aberta. Mesmo
apresentando uma carteira de apenas R$ 14 bilhões, o volume
de investimentos em fundos abertos de aposentadoria cresce 45% ao
ano. Esses planos funcionam como um investimento de risco, com alternativas
de aplicações em renda fixa e ações,
e são vendidos por bancos, seguradoras e corretoras. Qualquer
pessoa capaz de economizar mais de R$ 50 por mês pode aderir,
mas eles ainda atraem uma parcela pequena da população.
Estima-se que não mais de 2,2 milhões de trabalhadores
participem desse mercado, individualmente ou por meio de pacotes
empresariais. São pessoas que, como Elton Urici, não
vão se conformar com uma aposentadoria de dez salários
mínimos, porque, afinal, ganham mais do que isso na ativa.
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