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Edição 162 - Janeiro de 2001  

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Geração digital
Uma vez por semana, moradores do Lar Golda Meir, entidade paulistana que abriga mais de 250 idosos, invadem uma pequena sala da casa onde seis computadores decoram o ambiente. Lá, durante uma hora e meia, mandam e-mails, escrevem cartas e poesias no Word ou simplesmente navegam na internet. Para ensiná-los, jovens com idade média de 16 anos, todos voluntários. O nome do programa é Oldnet, iniciativa da ONG Cidade Escola Aprendiz, e o objetivo é promover a relação entre duas gerações tão distantes. Ao mesmo tempo, acaba levando as novas tecnologias a pessoas que nasceram quando não existia nem televisão e, via de regra, querem distância do computador.

Muito além da doação
Após uma cuidadosa faxina no seu aparato tecnológico, a Net/GloboCabo se deparou com uma montanha de mais de 400 PCs inutilizados, alguns deles quase novos. A solução: doá-los. Mas a empresa foi um pouco além. Acionou um departamento chamado Net na Comunidade, responsável pelo desenvolvimento de programas de cunho social, e criou o Projeto Conexões. Graças a ele, 25 entidades assistenciais para menores – como as Febems de São Paulo e Porto Alegre – receberam, no total, 460 computadores. E mais: funcionários da empresa passaram a ministrar, voluntariamente, aulas de informática para crianças que nunca tinham visto um PC. “Já investimos R$ 500 mil no programa”, revela Marco Aurélio Morch, gerente de marketing institucional da empresa.

Cheque-futuro
A Fundação Bradesco é responsável pela formação de 101 mil crianças e adolescentes brasileiros. Com orçamento anual de R$ 100 milhões e presente em todos os Estados, à exceção de Roraima, a fundação fornece ensino, alimentação, uniforme, material escolar e, de uns tempos para cá, acesso à informática. Pelo menos uma vez por semana, os menores tiram os olhos do quadro negro para colocá-los nos monitores. As crianças pequenas ensaiam as primeiras tecladas, enquanto os mais velhos já saem de lá com uma boa idéia de como manejar um PC. Grande parte das escolas da fundação também já tem acesso à internet – como os moradores de um internato em Canoanã, no Estado de Tocantins, a maioria filhos de índios que moram nas fazendas locais.

A vez dos vizinhos
Em agosto de 2000, o governo argentino colocou em marcha um ambicioso plano de crédito popular para multiplicar o acesso à internet. O objetivo é facilitar a compra de microcomputadores para alcançar um milhão de pontos de conexão no país. Por meio de uma linha de financiamento do Banco de La Nación, os interessados poderão se inscrever para adquirir equipamentos que custem até US$ 850. O pagamento será feito em 36 meses, com juros subsidiados. Efeito do incentivo público, ou pura coincidência, no mesmo ano o número de internautas argentinos mais que dobrou. Em janeiro do ano passado, havia 1,2 milhão de argentinos conectados. Em novembro, esse número chegou a 2,5 milhões.

Superando barreiras
A meta da Rede Saci é incluir os deficientes físicos e mentais na sociedade da informação, ajudando-os a vencer suas limitações. Um exemplo prático mostra bem o tipo de iniciativa da entidade. Quem entra no site da Saci, (www.saci.org.br) pode baixar, de graça, o Dosvox, software que permite aos deficientes visuais operar um computador e navegar na internet. Dentro de pouco tempo, também será possível fazer o download de um programa com objetivo parecido – este com a função de levar a informática e a web para portadores de deficiência física grave. A rede ainda tem um serviço de notícias enviado regularmente para os mais de 1.400 cadastrados no site.

Solução está nas parcerias
A HP, segunda fabricante de computadores da América Latina, anunciou em dezembro o seu primeiro projeto efetivo de inclusão digital, em parceria com a Fundação Abrinq e a ONG Cidade Escola Aprendiz. O foco estará na educação e capacitação de jovens para o mundo da infor-mática. A empresa entra com a tecnologia e o suporte financeiro – US$ 300 mil, só no primeiro ano –, a Abrinq cuida da administração do programa e a Escola Aprendiz se encarrega do conteúdo. O programa deve ser lançado ainda no primeiro trimestre e a expectativa é de que possa atender 1.500 adolescentes. “No futuro, o acesso à informação vai ser tão essencial quanto a luz elétrica e a água encanada”, profetiza Carlos Ribeiro, presidente da HP Brasil.

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