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Geração digital
Uma vez por semana, moradores do Lar Golda Meir, entidade paulistana
que abriga mais de 250 idosos, invadem uma pequena sala da casa
onde seis computadores decoram o ambiente. Lá, durante uma
hora e meia, mandam e-mails, escrevem cartas e poesias no Word ou
simplesmente navegam na internet. Para ensiná-los, jovens
com idade média de 16 anos, todos voluntários. O nome
do programa é Oldnet, iniciativa da ONG Cidade Escola Aprendiz,
e o objetivo é promover a relação entre duas
gerações tão distantes. Ao mesmo tempo, acaba
levando as novas tecnologias a pessoas que nasceram quando não
existia nem televisão e, via de regra, querem distância
do computador.
Muito além da doação
Após uma cuidadosa faxina no seu aparato tecnológico,
a Net/GloboCabo se deparou com uma montanha de mais de 400 PCs inutilizados,
alguns deles quase novos. A solução: doá-los.
Mas a empresa foi um pouco além. Acionou um departamento
chamado Net na Comunidade, responsável pelo desenvolvimento
de programas de cunho social, e criou o Projeto Conexões.
Graças a ele, 25 entidades assistenciais para menores
como as Febems de São Paulo e Porto Alegre receberam,
no total, 460 computadores. E mais: funcionários da empresa
passaram a ministrar, voluntariamente, aulas de informática
para crianças que nunca tinham visto um PC. Já
investimos R$ 500 mil no programa, revela Marco Aurélio
Morch, gerente de marketing institucional da empresa.
Cheque-futuro
A Fundação Bradesco é responsável pela
formação de 101 mil crianças e adolescentes
brasileiros. Com orçamento anual de R$ 100 milhões
e presente em todos os Estados, à exceção de
Roraima, a fundação fornece ensino, alimentação,
uniforme, material escolar e, de uns tempos para cá, acesso
à informática. Pelo menos uma vez por semana, os menores
tiram os olhos do quadro negro para colocá-los nos monitores.
As crianças pequenas ensaiam as primeiras tecladas, enquanto
os mais velhos já saem de lá com uma boa idéia
de como manejar um PC. Grande parte das escolas da fundação
também já tem acesso à internet como
os moradores de um internato em Canoanã, no Estado de Tocantins,
a maioria filhos de índios que moram nas fazendas locais.
A vez dos vizinhos
Em agosto de 2000, o governo argentino colocou em marcha um ambicioso
plano de crédito popular para multiplicar o acesso à
internet. O objetivo é facilitar a compra de microcomputadores
para alcançar um milhão de pontos de conexão
no país. Por meio de uma linha de financiamento do Banco
de La Nación, os interessados poderão se inscrever
para adquirir equipamentos que custem até US$ 850. O pagamento
será feito em 36 meses, com juros subsidiados. Efeito do
incentivo público, ou pura coincidência, no mesmo ano
o número de internautas argentinos mais que dobrou. Em janeiro
do ano passado, havia 1,2 milhão de argentinos conectados.
Em novembro, esse número chegou a 2,5 milhões.
Superando barreiras
A meta da Rede Saci é incluir os deficientes físicos
e mentais na sociedade da informação, ajudando-os
a vencer suas limitações. Um exemplo prático
mostra bem o tipo de iniciativa da entidade. Quem entra no site
da Saci, (www.saci.org.br) pode baixar, de graça, o Dosvox,
software que permite aos deficientes visuais operar um computador
e navegar na internet. Dentro de pouco tempo, também será
possível fazer o download de um programa com objetivo parecido
este com a função de levar a informática
e a web para portadores de deficiência física grave.
A rede ainda tem um serviço de notícias enviado regularmente
para os mais de 1.400 cadastrados no site.
Solução está nas
parcerias
A HP, segunda fabricante de computadores da América Latina,
anunciou em dezembro o seu primeiro projeto efetivo de inclusão
digital, em parceria com a Fundação Abrinq e a ONG
Cidade Escola Aprendiz. O foco estará na educação
e capacitação de jovens para o mundo da infor-mática.
A empresa entra com a tecnologia e o suporte financeiro US$
300 mil, só no primeiro ano , a Abrinq cuida da administração
do programa e a Escola Aprendiz se encarrega do conteúdo.
O programa deve ser lançado ainda no primeiro trimestre e
a expectativa é de que possa atender 1.500 adolescentes.
No futuro, o acesso à informação vai
ser tão essencial quanto a luz elétrica e a água
encanada, profetiza Carlos Ribeiro, presidente da HP Brasil.
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