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Imagine um ambiente onde se escreve com a luz. Um lugar cheio de
cores e formas criadas não por artistas famosos, mas por
meninos de favelas. E esses meninos discutem a realidade e procuram
soluções para seus problemas, utilizando o computador.
Parece um sonho? E foi. Numa noite de 1994, o bem-sucedido consultor
de informática Rodrigo Baggio acordou com essas imagens na
cabeça. Hoje, o sonho é real. Baggio abandonou a carreira
promissora e fundou o Comitê para a Democratização
da Informática, uma ONG que está levando educação
e tecnologia para mais de 60 mil brasileiros.
A iniciativa vem conquistando reconhecimento internacional. Baggio
já foi destacado pela Time e pela CNN como um dos líderes
do milênio. E sua proposta tem o aval de instituições
como o BID e o Banco Mundial. O modelo do CDI deve ser levado
para todos os países da América, revela Fabian
Koss, coordenador do Programa Juventude do BID.
Depois do sonho, Baggio começou a se mobilizar para que
a informática chegasse a populações carentes.
Queria doar computadores, entregá-los nas favelas. Mas era
preciso ensinar as pessoas a lidar com a tecnologia. Era preciso
educar. A primeira escola foi fundada em 1994, no morro Santa Marta,
no Rio de Janeiro. O Instituto C&A doou cinco computadores.
Foi o primeiro apoiador.
O CDI cresceu, e muito. Hoje, tem 200 escolas no Brasil, em alguns
países da América Latina e até no Japão.
Não são instituições de ensino convencionais.
São escolas de informática e cidadania (EICs). A diferença?
Não ensinamos só a técnica. Ensinamos
a usá-la para formar indivíduos mais solidários
e críticos, explica Rodrigo Baggio, fundador e diretor
do comitê. Assim, os alunos acabam aprendendo a usar programas
como Word e Excel. E pagam para assistir às aulas
uma mensalidade de R$ 5 a R$ 15, embora haja algumas gratuitas.
Com a verba, as escolas se sustentam e remuneram os educadores.
A idéia é fugir do assistencialismo, que é
importante, mas leva as pessoas a uma atitude passiva, justifica
Baggio. Quem não tem dinheiro, não é excluído.
Na escola de Leopoldina, no interior de Minas Gerais, há
patrocinadores não só para o projeto, mas também
para os meninos. O comitê arranja um padrinho, que vai
pagar a mensalidade e acompanhar a evolução do afilhado,
conta Eudes Furtado, coordenador do CDI da região. Nosso
objetivo não é dar o peixe, mas ensinar a pescar,
defende Rodrigo. Funciona. Quase 90% dos ex-alunos mudaram de vida,
segundo pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (ISER).
Eles ganharam amigos, encontraram oportunidades profissionais e
alguns até voltaram a estudar.
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