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Edição 162 - Janeiro de 2001  

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Tatiana Csordas

Imagine um ambiente onde se escreve com a luz. Um lugar cheio de cores e formas criadas não por artistas famosos, mas por meninos de favelas. E esses meninos discutem a realidade e procuram soluções para seus problemas, utilizando o computador. Parece um sonho? E foi. Numa noite de 1994, o bem-sucedido consultor de informática Rodrigo Baggio acordou com essas imagens na cabeça. Hoje, o sonho é real. Baggio abandonou a carreira promissora e fundou o Comitê para a Democratização da Informática, uma ONG que está levando educação e tecnologia para mais de 60 mil brasileiros.

A iniciativa vem conquistando reconhecimento internacional. Baggio já foi destacado pela Time e pela CNN como um dos líderes do milênio. E sua proposta tem o aval de instituições como o BID e o Banco Mundial. “O modelo do CDI deve ser levado para todos os países da América”, revela Fabian Koss, coordenador do Programa Juventude do BID.

Depois do sonho, Baggio começou a se mobilizar para que a informática chegasse a populações carentes. Queria doar computadores, entregá-los nas favelas. Mas era preciso ensinar as pessoas a lidar com a tecnologia. Era preciso educar. A primeira escola foi fundada em 1994, no morro Santa Marta, no Rio de Janeiro. O Instituto C&A doou cinco computadores. Foi o primeiro apoiador.

O CDI cresceu, e muito. Hoje, tem 200 escolas no Brasil, em alguns países da América Latina e até no Japão. Não são instituições de ensino convencionais. São escolas de informática e cidadania (EICs). A diferença? “Não ensinamos só a técnica. Ensinamos a usá-la para formar indivíduos mais solidários e críticos”, explica Rodrigo Baggio, fundador e diretor do comitê. Assim, os alunos acabam aprendendo a usar programas como Word e Excel. E pagam para assistir às aulas – uma mensalidade de R$ 5 a R$ 15, embora haja algumas gratuitas. Com a verba, as escolas se sustentam e remuneram os educadores. “A idéia é fugir do assistencialismo, que é importante, mas leva as pessoas a uma atitude passiva”, justifica Baggio. Quem não tem dinheiro, não é excluído. Na escola de Leopoldina, no interior de Minas Gerais, há patrocinadores não só para o projeto, mas também para os meninos. “O comitê arranja um padrinho, que vai pagar a mensalidade e acompanhar a evolução do afilhado”, conta Eudes Furtado, coordenador do CDI da região. “Nosso objetivo não é dar o peixe, mas ensinar a pescar”, defende Rodrigo. Funciona. Quase 90% dos ex-alunos mudaram de vida, segundo pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (ISER). Eles ganharam amigos, encontraram oportunidades profissionais e alguns até voltaram a estudar.

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