Edição nº161

Matéria de Capa
Especial
Entrevista
Wired
Minha carreira
Meu bolso

A revista
Anteriores
Expediente
Publicidade
Assinaturas
Fale conosco

O empreendimento lucra em cima de uma grande falha. Afinal, por que aqueles que detêm o poder, as pessoas que escrevem as leis americanas e compõem o que deveria ser o braço direito do governo federal, não fazem uso da internet como forma de divulgação de seu trabalho diário? Em 1994, dias depois de os conservadores republicanos terem tomado o controle da Câmara dos Deputados norte-americana, seu futuro presidente, Newt Gingrich, declarou que colocaria a instituição na era da informática. Gingrich se considerava um revolucionário prestes a reformular o governo e a renovar a sociedade. Ele garantiu que criaria um sistema para liberar ao país inteiro o acesso eletrônico aos documentos da Casa. Com seu típico talento melodramático, prometeu mudar “inteiramente o fluxo de informações e a qualidade do conhecimento da população”.

O acesso dos lobistas bem-pagos de Washington às informações sobre o Congresso é bem maior do que o de qualquer mortal conectado. A maior parte das páginas é para autopromoção

Certamente havia espaço de sobra para tantas melhorias. Na época, apenas uns poucos documentos, como o texto original de alguns decretos, estavam disponíveis on-line. Gingrich sabia que poderia fazer mais. Ao anunciar que estava recrutando o escritor futurista Alvin Toffler e várias empresas de alta tecnologia, garantiu que modificaria as regras da Casa para exigir que todos os documentos fossem arquivados eletronicamente e para que, assim, todas as informações estivessem acessíveis “a todos os cidadãos do país da mesma maneira que estão disponíveis aos mais bem-pagos lobistas de Washington”. Era um plano inovador e voltado para o futuro, mas, infelizmente, não foi muito longe. O acesso que os lobistas têm a esses dados importantes ainda é maior que o de qualquer mortal conectado.

Hoje, todos os membros do Congresso têm página na internet para autopromoção. Mesmo assim, muito do trabalho básico do Congresso não pode ser pesquisado via rede, e há pouquíssima discussão para melhorar essa realidade. Por muitos anos, os defensores da digitalização dessas informações têm reclamado que o Congresso descumpriu a promessa de 1994. Liderando o grupo está Gary Ruskin, diretor do Projeto de Confiabilidade do Congresso, uma organização fundada por Ralph Nader, advogado de grande participação política nas causas de proteção ao consumidor e que concorreu algumas vezes à Presidência pelo Partido Verde.

Sentado em seu escuro escritório, Ruskin lista informações vitais que o Congresso não coloca na rede. Os primeiros itens: rascunhos de legislação e novas versões de decretos que emergem do trabalho de comissões e subcomissões. Nada disso se encontra no endereço http://thomas.loc.gov, a página principal da instituição, embora esses materiais sejam distribuídos impressos entre os lobistas que infectam os corredores do Congresso. Só que nenhum presidente de comissão considera prioridade a divulgação eletrônica de tais trabalhos. “Ainda não encontrei um membro do Congresso que apóie a divulgação on-line desse material”, reclama Ruskin. “Há razões para que queiram manter segredo acerca de alguns decretos. Eles esperam que coisas como favores a colaboradores ou projetos inúteis não sejam facilmente descobertas. Mas aqui se encontra uma questão básica: como os cidadãos podem interferir junto ao Congresso se não têm acesso a documentos legislativos relevantes?”.

Envie esta página para um amigoMande sua mensagem para a revista Amanhã

 


Confira notas exclusivas!

Dicas de livros

Newsletter


Edições Especiais


PR
RS
RS - INTERIOR



Copyright © Revista Amanhã
Created byConectt Marketing Interativo