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O empreendimento lucra em cima de uma grande
falha. Afinal, por que aqueles que detêm o poder, as
pessoas que escrevem as leis americanas e compõem o
que deveria ser o braço direito do governo federal,
não fazem uso da internet como forma de divulgação
de seu trabalho diário? Em 1994, dias depois de os
conservadores republicanos terem tomado o controle da Câmara
dos Deputados norte-americana, seu futuro presidente, Newt
Gingrich, declarou que colocaria a instituição
na era da informática. Gingrich se considerava um revolucionário
prestes a reformular o governo e a renovar a sociedade. Ele
garantiu que criaria um sistema para liberar ao país
inteiro o acesso eletrônico aos documentos da Casa.
Com seu típico talento melodramático, prometeu
mudar inteiramente o fluxo de informações
e a qualidade do conhecimento da população.
| O
acesso dos lobistas bem-pagos de Washington às
informações sobre o Congresso é bem
maior do que o de qualquer mortal conectado. A maior parte
das páginas é para autopromoção |
Certamente havia espaço de sobra para
tantas melhorias. Na época, apenas uns poucos documentos,
como o texto original de alguns decretos, estavam disponíveis
on-line. Gingrich sabia que poderia fazer mais. Ao anunciar
que estava recrutando o escritor futurista Alvin Toffler e
várias empresas de alta tecnologia, garantiu que modificaria
as regras da Casa para exigir que todos os documentos fossem
arquivados eletronicamente e para que, assim, todas as informações
estivessem acessíveis a todos os cidadãos
do país da mesma maneira que estão disponíveis
aos mais bem-pagos lobistas de Washington. Era um plano
inovador e voltado para o futuro, mas, infelizmente, não
foi muito longe. O acesso que os lobistas têm a esses
dados importantes ainda é maior que o de qualquer mortal
conectado.
Hoje, todos os membros do Congresso têm
página na internet para autopromoção.
Mesmo assim, muito do trabalho básico do Congresso
não pode ser pesquisado via rede, e há pouquíssima
discussão para melhorar essa realidade. Por muitos
anos, os defensores da digitalização dessas
informações têm reclamado que o Congresso
descumpriu a promessa de 1994. Liderando o grupo está
Gary Ruskin, diretor do Projeto de Confiabilidade do Congresso,
uma organização fundada por Ralph Nader, advogado
de grande participação política nas causas
de proteção ao consumidor e que concorreu algumas
vezes à Presidência pelo Partido Verde.
Sentado em seu escuro escritório, Ruskin
lista informações vitais que o Congresso não
coloca na rede. Os primeiros itens: rascunhos de legislação
e novas versões de decretos que emergem do trabalho
de comissões e subcomissões. Nada disso se encontra
no endereço http://thomas.loc.gov,
a página principal da instituição, embora
esses materiais sejam distribuídos impressos entre
os lobistas que infectam os corredores do Congresso. Só
que nenhum presidente de comissão considera prioridade
a divulgação eletrônica de tais trabalhos.
Ainda não encontrei um membro do Congresso que
apóie a divulgação on-line desse material,
reclama Ruskin. Há razões para que queiram
manter segredo acerca de alguns decretos. Eles esperam que
coisas como favores a colaboradores ou projetos inúteis
não sejam facilmente descobertas. Mas aqui se encontra
uma questão básica: como os cidadãos
podem interferir junto ao Congresso se não têm
acesso a documentos legislativos relevantes?.

  
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