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James Görgen*

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Prepare seu bolso e sua memória para esquecer o que sabe sobre comunicação. A partir do ano que vem, você começará a decorar novos termos e a tomar contato com tecnologias avançadas para fazer coisas simples, como falar ao telefone ou ver televisão. Em poucos dias, o mundo entrará no novo século. Ao mesmo tempo, o Brasil terá pela frente o ano zero das comunicações pessoais. E todos terão tarefas a cumprir. O governo deverá definir conceitos, políticas públicas e prioridades estratégicas para o país. As empresas de telecomunicações, informática, internet e mídia serão obrigadas a optar pelos segmentos que acharem mais rentáveis e reunir capital para realizar os investimentos pesados que o mundo digital reivindica. Para o cidadão-consumidor, a responsabilidade é maior: dizer sim ou não aos produtos e serviços apresentados. Afinal, tudo estará em teste, e maravilhas que surgem hoje podem se mostrar um fracasso de vendas amanhã. Mais do que onerosas, as apostas são arriscadas. Por enquanto, sabe-se de duas coisas: o futuro das comunicações passa pelo ar e também por um fio luminoso com alto poder de transmissão de dados chamado fibra ótica.

De posse do cronograma da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), é fácil perceber porque 2001 será um marco para o país na área das comunicações. Ao longo de um mesmo ano, entrarão em operação a segunda geração de telefones celulares, novas autorizações de TV por assinatura, operadoras locais de telefonia, transmissões de TV em alta definição. E mais: a implantação do conceito de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) já promete transformações importantes. Com a licença de SCM, uma mesma empresa poderá, na prática, vender serviços de internet, telefonia e TV por assinatura, por exemplo. Além de aumentar o leque de opções, as operadoras SCM oferecerão pacotes de multisserviços com preços e tarifas que grandes grupos terão dificuldades em bancar.

Mas será que o brasileiro está interessado em gastar seu orçamento com tantas inovações? No momento, é melhor investir num celular com acesso a alguns serviços de internet, num conversor para a televisão receber sinais digitais ou deixar como está para ver como fica? Mesmo que a maioria dos consumidores escolha a terceira hipótese, as empresas do setor não vão esperar. Com medo de errar, no ano que vem cada uma delas estará apostando em todas as soluções possíveis para o momento. “Sabemos que, a cada dia, novas tecnologias estão entrando no mercado, mas é imprescindível que tenhamos soluções para tudo”, diz o vice-presidente de marketing da operadora de telefonia fixa Global Village Telecom (GVT), Ciro Kawamura. “Temos de criar o mercado. Mas a dinâmica é tão grande que não dá para seguir os passos tradicionais de planejamento. As inovações estão se antecipando à demanda”, repara o diretor da Associação Nacional dos Prestadores de Serviço Móvel Celular (Acel), Antônio Ribeiro dos Santos. “Temos de experimentar e ver o que pega e o que não pega.”

*Colaborou: André Bersano


 


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