Edição nº161

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Quais os principais casos de empresas que já contemplam direitos dos homossexuais nos benefícios sociais?
Nos Estados Unidos, temos empresas como IBM, Apple, Bank of America e a maioria das companhias aéreas.

Essa é uma tendência? Grandes empresas passarão a atender com maior respeito a grupos como os homossexuais?
Penso que sim. Quando começou a campanha pela extensão de benefícios aos parceiros de homossexuais, no final dos anos 80, diversas empresas argumentaram que isso seria muito caro, pois associavam a reivindicação com a Aids. Imaginavam que todo o mundo gay tinha Aids. Por outro lado, algumas perceberam que era a melhor maneira de manter certos funcionários qualificados. Ativistas de outros países devem identificar as multinacionais sediadas nos Estados Unidos que oferecem esses benefícios e exigir que concedam o mesmo tratamento nas regiões em que atuam.


“A Parada Gay reuniu 110 mil pessoas nas ruas de São Paulo. Acredito que os empresários vão querer atingir essa fatia de mercado”

A empresa brasileira descobriu o consumidor homossexual?
Algumas empresas já perceberam que existe um mercado amplo de homossexuais que pode ser explorado. Assim, começam a surgir propagandas com subtextos homoeróticos para atingir esse público. O alvo não é somente o consumidor gay, mas também um setor “moderno”, “jovem”, “sem preconceitos”, que pode ver essas propagandas como indicador de uma empresa que está na vanguarda.

Como o sr. analisa o comportamento do consumidor homossexual?
A idéia de um “consumidor homossexual” é complicada, pois os gays vêm de todas as classes sociais. O que existe na subcultura gay brasileira é um padrão de vida que enfatiza um visual sofisticado, masculino e um consumo “americano” de roupa e produtos que indica uma renda classe A. Porém, a maioria dos gays no país não tem condições de atingir essa fantasia. O preconceito, a discriminação e a marginalização pressionam os gays a buscar canais de superação social que, muitas vezes, manifestam-se no consumo. Existe uma noção de que o gay possui mais dinheiro para gastar com ele mesmo, pois não tem filhos e mulher. Porém, a família também pode exigir mais do filho gay para ajudar nos problemas financeiros dos pais exatamente porque ele não tem as despesas dos irmãos casados. Ainda não se comprova, com certeza, se os gays são uma mina de ouro para as empresas que querem encontrar o consumidor ideal.

Como deve ser a campanha publicitária de uma empresa que pretenda atingir o consumidor homossexual?
A empresa que fizer propaganda “explícita” para o gay, mostrando-o como parte normal da sociedade, vai criar uma simpatia tremenda entre os gays. Um sentimento que pode gerar lealdade com o produto. Ikea, uma empresa sueca que vende móveis e decorações para casa, já fez propagandas mostrando um casal gay comprando móveis juntos e causou um efeito positivo entre os gays americanos. Duvido que tenha diminuído o consumo heterossexual nessa loja.

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