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Quais os principais casos de empresas que já contemplam
direitos dos homossexuais nos benefícios sociais?
Nos Estados Unidos, temos empresas como IBM, Apple, Bank of
America e a maioria das companhias aéreas.
Essa é uma tendência? Grandes empresas passarão
a atender com maior respeito a grupos como os homossexuais?
Penso que sim. Quando começou a campanha pela extensão
de benefícios aos parceiros de homossexuais, no final
dos anos 80, diversas empresas argumentaram que isso seria
muito caro, pois associavam a reivindicação
com a Aids. Imaginavam que todo o mundo gay tinha Aids. Por
outro lado, algumas perceberam que era a melhor maneira de
manter certos funcionários qualificados. Ativistas
de outros países devem identificar as multinacionais
sediadas nos Estados Unidos que oferecem esses benefícios
e exigir que concedam o mesmo tratamento nas regiões
em que atuam.

“A Parada Gay reuniu 110 mil pessoas nas ruas de São Paulo.
Acredito que os empresários vão querer atingir essa fatia
de mercado” |
A empresa brasileira descobriu o consumidor homossexual?
Algumas empresas já perceberam que existe um mercado
amplo de homossexuais que pode ser explorado. Assim, começam
a surgir propagandas com subtextos homoeróticos para
atingir esse público. O alvo não é somente
o consumidor gay, mas também um setor moderno,
jovem, sem preconceitos, que pode
ver essas propagandas como indicador de uma empresa que está
na vanguarda.
Como o sr. analisa o comportamento do consumidor homossexual?
A idéia de um consumidor homossexual é
complicada, pois os gays vêm de todas as classes sociais.
O que existe na subcultura gay brasileira é um padrão
de vida que enfatiza um visual sofisticado, masculino e um
consumo americano de roupa e produtos que indica
uma renda classe A. Porém, a maioria dos gays no país
não tem condições de atingir essa fantasia.
O preconceito, a discriminação e a marginalização
pressionam os gays a buscar canais de superação
social que, muitas vezes, manifestam-se no consumo. Existe
uma noção de que o gay possui mais dinheiro
para gastar com ele mesmo, pois não tem filhos e mulher.
Porém, a família também pode exigir mais
do filho gay para ajudar nos problemas financeiros dos pais
exatamente porque ele não tem as despesas dos irmãos
casados. Ainda não se comprova, com certeza, se os
gays são uma mina de ouro para as empresas que querem
encontrar o consumidor ideal.
Como deve ser a campanha publicitária de uma empresa
que pretenda atingir o consumidor homossexual?
A empresa que fizer propaganda explícita
para o gay, mostrando-o como parte normal da sociedade, vai
criar uma simpatia tremenda entre os gays. Um sentimento que
pode gerar lealdade com o produto. Ikea, uma empresa sueca
que vende móveis e decorações para casa,
já fez propagandas mostrando um casal gay comprando
móveis juntos e causou um efeito positivo entre os
gays americanos. Duvido que tenha diminuído o consumo
heterossexual nessa loja.

  
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