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Marcelo Lacerda

Diretor do Terra Networks
  
Nos últimos dois anos, muito se tem
falado em internet de banda larga. O fato é que a presença
de conexões de banda larga ainda é pequena,
tanto no mercado doméstico quanto no ambiente empresarial.
Esse quadro, no entanto, começa a se modificar. O número
de internautas em banda estreita no Brasil tem dobrado a cada
ano, desde 1997, quando era de pouco mais de 1 milhão.
Segundo dados da Abranet, a Associação
Brasileira das Empresas de Internet, em 1998 esse volume atingiu
2,23 milhões, passando para 4,82 milhões em
1999. Estima-se algo perto de 8 milhões de internautas
no Brasil para o final de 2000.
| A
TENDÊNCIA É A EXPANSÃO DA BANDA LARGA EM PEQUENAS EMPRESAS
JÁ NO PRÓXIMO ANO. NO AMBIENTE DOMÉSTICO, DEVE LEVAR MAIS
TEMPO |
Já o total de conexões em banda
larga deve chegar a 100 mil usuários. Estariam incluídas,
aí, conexões a cabo, via infra-estrutura de
TV por assinatura, conexões com tecnologia xDSL, que
utilizam a rede de telefonia urbana, e ainda conexões
chamadas de links dedicados (ponto a ponto). Observa-se um
crescimento mais rápido das tecnologias xDSL sobre
as outras formas de conexão de banda larga.
A importância da banda larga nos ambientes
empresariais está no uso compartilhado da internet,
o que torna possível o desenvolvimento de aplicações
voltadas à disponibilidade de serviços, produtos
e informações aos clientes e uma maior interação
com fornecedores e representantes, além da integração
de filiais para troca de informações on-line.
Já no mercado residencial, a convergência de
mídias, como, por exemplo, a televisão e a internet,
cria oportunidades quase ilimitadas. A televisão poderá
transformar a internet em um ambiente muito mais atraente
e, por sua vez, ganhar um sentido utilitário, via interatividade,
que desafia a imaginação de criadores e produtores
de TV. Mas a viabilização econômica dessa
programação irá requerer uma massa crítica
de internautas maior do que as projetadas para os próximos
dois anos.
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| A DENSIDADE E A VELOCIDADE DE CONTEÚDO
NOS SERVIÇOS VIA INTERNET, MESMO PARA APLICATIVOS
COMO O CELULAR, AUMENTARÃO NOS PRÓXIMOS
ANOS. É UMA TENDÊNCIA MUNDIAL |
O que nos devolve à questão inicial.
O uso de banda larga cresce, no ambiente doméstico,
de forma mais modesta do que a internet em banda estreita
por falta de aplicações que apresentem um diferencial
definitivo entre uma e outra formas de conexão. Esse
diferencial é importante quando se compara o custo
das duas formas de conexão: a banda larga, mesmo subsidiada
pelos provedores, pode custar quatro vezes mais que a banda
estreita, aí incluídos os custos de telefonia.
Por outro lado, a menor penetração da banda
larga não incentiva a produção de conteúdos
especiais.
Existe outra barreira ao crescimento das conexões
de banda larga: em várias cidades, a área de
cobertura fica restrita a alguns poucos bairros. Estima-se
que, somente na Grande São Paulo, 60% da demanda para
serviços de banda larga não pode ser atendida
porque a infra-estrutura não chegou lá. No mercado
empresarial, entretanto, a banda larga está tendo grande
aceitação. Mesmo nas pequenas organizações,
que tinham o alto custo de uma conexão dedicada como
a principal barreira, as conexões de Cable e xDSL estão
viabilizando projetos de internet.
A tendência é a adoção
da banda larga com velocidade crescente em pequenas empresas
(a grande maioria das médias e grandes já possui
conexões). Essa tendência deverá se consolidar
em 2001. Quanto ao uso de banda larga no ambiente doméstico,
espera-se um crescimento mais gradual, nos próximos
três a cinco anos, à medida que surja uma nova
geração de aplicações de internet,
que os custos dessas conexões diminuam e que a área
de cobertura seja ampliada.

 
  
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