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Marcos de Azambuja

Embaixador do Brasil em Paris
  
Os sinais não são os mais encorajadores
para o processo de integração entre o Mercosul
e a União Européia em 2001. A União Européia
vive um momento complicado. O euro atravessa dificuldades.
A ampliação da Comunidade em direção
ao Leste apresenta imensos desafios. As estruturas de Bruxelas
são, ao mesmo tempo, pesadas e lentas para as exigências
do novo século. Não sobra muito tempo para que
os europeus pensem na nossa região. Há, ainda
e sempre, as dificuldades específicas que derivam de
uma grande contradição entre o protecionismo
agrícola dessa parte do mundo e a vocação
de exportação agropecuária dos países
do nosso lado.
| OS
EUROPEUS LAMENTARÃO NÃO TER APROVEITADO ESSA JANELA DE
OPORTUNIDADES PARA SE APROXIMAR DOS PAÍSES DA AMÉRICA
DO SUL |
O Mercosul também passa por um período
de incertezas. Esgotado o extraordinário impulso inicial,
enfrenta questões conjunturais inerentes às
grandes assimetrias entre seus sócios: as dificuldades
que enfrenta a Argentina, as hesitações e as
reticências do Chile em se fazer membro pleno (acrescidas,
agora, por sua aproximação com Washington) e
a falta de mecanismos institucionais que lhe garantam maior
eficácia e organicidade.
Esse é o balanço de alguns dos
principais problemas dos dois interlocutores. No outro lado
da moeda, europeus e sul-americanos se dão conta de
que, em um mundo globalizado, têm de encontrar os denominadores
comuns que permitam a criação, no breve prazo,
de uma zona de livre comércio entre as duas áreas,
e que se busquem formas mais ágeis de integração
em todos os terrenos.
Há um cronograma de encontros e negociações.
E, como a hipótese do insucesso é descartável,
quase que por definição, existe e existirá
uma pressão para que se avance mesmo que o progresso
se faça de maneira lenta nas primeiras etapas. Um projeto
de integração transatlântica que nasceu
com elevada inspiração política, com
o endosso dos dirigentes máximos dos dois lados, não
pode se esgotar na retórica das declarações
ou se intimidar ante as dificuldades do processo negociador.
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| PRESIDENTES DO BRASIL,
DA ARGENTINA E DO URUGUAI. HÁ DIVERGÊNCIAS,
MAS A EVOLUÇÃO DO BLOCO SERÁ UM INSTRUMENTO
PARA DAR SUSTENTAÇÃO ÀS ECONOMIAS
REGIONAIS |
Uma nova administração americana
em Washington definirá novas prioridades e velocidades
para as negociações comerciais hemisféricas.
É importante que a geometria variável da inserção
dos países do Mercosul no mundo não sofra por
hesitações excessivas no processo de integração
entre nós e a União Européia.
Tenho a impressão de que o tempo não
tem sido utilizado do lado de lá da maneira mais sábia
e que os europeus lamentarão, mais tarde, não
ter aproveitado uma janela de oportunidades para se aproximar
mais de um grupo de países que são, naturalmente,
seus sócios, seus parceiros, destino importante de
seus investimentos e, sobretudo, um contrapeso nas relações
de força da sociedade mundial globalizada. Cabe, aos
do Mercosul, insistir e persistir, porque parte da resistência
européia é inercial, é burocrática
e não corresponde aos melhores interesses de médio
e de longo prazo dessa região.
Um elemento perverso da complicada máquina
de Bruxelas é que ela é mais apta a frear do
que avançar. Tantas são as engrenagens que não
é difícil travar todo um grande movimento pela
criação de pequenos obstáculos específicos
e setorialmente limitados. Minha opinião é de
que 2001 será um ano mais de esforços do que
de vitórias para o projeto de aproximação
entre europeus e sul-americanos. Não tenho dúvidas
de que chegaremos, europeus e sul-americanos, aos nossos objetivos.
O importante é que a identificação dos
obstáculos de curto prazo antes reforce do que dissipe
a nossa vontade.

 
  
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