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A explosão do Napster, software que cria uma enorme comunidade virtual de fãs da música, vai assassinar os direitos autorais. Para compensar, deverá deflagrar uma onda mundial de criatividade na indústria da cultura e do entretenimento

John Perry Barlow*

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A guerra cultural foi deflagrada. Há longo tempo esperada por alguns, uma desagradável surpresa para outros, a disputa entre as eras industrial e virtual está se acirrando graças ao modestamente concebido – mas insuperável – destruidor de paradigmas Napster. Mais que um mero programa desenvolvido para executar MP3 (formato de músicas para a internet), o Napster criou uma comunidade on-line em que artistas e fãs se comunicam diretamente para trocar arquivos sonoros. O que essa conexão global entre pessoas está provocando não é diferente do que se observou quando os colonizadores norte-americanos se deram conta de que estavam sendo deixados de lado pela Coroa britânica: foram obrigados a se livrar desse poder e tiveram de desenvolver uma economia mais adequada ao mundo em que viviam.

Para os pioneiros do espaço cibernético, o estopim foi detonado em julho deste ano, quando a juíza Marilyn Hall Patel tentou encerrar as atividades do Napster e silenciar esse mercado livre da expressão sonora que, então, já plugava mais de 20 milhões de amantes da música. Apesar de uma apelação suspendendo os efeitos da decisão ter sido imediatamente concedida ao Napster, o fato transformou o que era apenas uma envolvente relação econômica numa verdadeira causa, tornando milhões de jovens politicamente apáticos em hezbolás eletrônicos. Mas os esforços da juíza Patel, dos executivos da Associação Americana das Indústrias de Gravação ou dos defensores da lei dos direitos autorais já existente não alteram uma verdade: nenhuma lei imposta a um grande número de pessoas que não a apóia e que tem meios para escapar dela terá sucesso.

Em outras palavras, a ultrapassada indústria do entretenimento ainda não percebeu que essa situação está se aproximando com rapidez. Os empresários do “conteúdo” não se perturbam com o fato de que, em breve, será possível para qualquer indivíduo que tenha um computador reproduzir facilmente essa “propriedade” e distribuí-la a toda a humanidade. É aí que entra o Napster, ou, mais exatamente, a verdadeira internet, uma rede instantânea de comunicações que deu a pré-adolescentes um poder de distribuição igualável ao da Time-Warner. Mais: esses garotos não dão a mínima para as batalhas legais, sem contar que muitos deles têm conhecimentos de informática suficientes para quebrar qualquer código de segurança com que a indústria do entretenimento possa envolver “seus” produtos.

 


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