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Use dinheiro sempre que possível. Não forneça seu telefone, seu endereço e os números dos seus documentos, a não ser que seja absolutamente necessário. Não preencha questionários nem responda a serviços de telemarketing. Exija que o banco, a companhia de cartão de crédito e o governo lhe mostrem todos os dados que têm sobre você. Bloqueie identificadores de chamadas e mantenha seu número fora da lista telefônica. jamais deixe seu celular ligado enquanto viaja – ele pode ser rastreado. Se você tiver de utilizar a internet, use e-mail criptografado, rejeite todos os cookies e nunca dê seu verdadeiro nome quando se registrar em sites. No trabalho, presuma que todos os telefonemas, mensagens de voz, e-mail e computadores sejam monitorados

Romeu de Bruns Neto e James Görgen*

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Não, essas recomendações não saíram de um filme de espionagem ou de teorias de conspiração. São dicas dadas pela respeitadíssima The Economist a seus leitores e resumem a paranóia que se instalou em torno das questões relativas à privacidade nos dias de hoje. Uma pesquisa feita pela consultoria Harris Interactive com consumidores norte-americanos é sintomática. Apontou que eles estão mais preocupados com a perda da privacidade do que com a saúde, a segurança pública ou os impostos.

“A privacidade se tornou uma questão vital nos dias de hoje”, define Evan Hendricks, editor do Privacy Times, um informativo especializado no tema, com sede em Washington. Ele explica que as pessoas começaram a perceber que seus dados são utilizados sem o seu consentimento, principalmente por grandes organizações e pelo governo. “Elas sentem que estão sob constante vigilância, que pode levar à perda do emprego, do crédito, do seguro e de outras oportunidades.”

Hendricks defende a criação de uma agência de proteção à privacidade, que poderia ser subsidiada pelo governo norte-americano com um orçamento de US$ 5 milhões por ano. A legislação dos Estados Unidos, opina, é inadequada, pois nada diz sobre registros médicos, dados relativos ao emprego e informações fornecidas via internet. Porém, o Privacy Times, assim como inúmeras organizações de consumidores e organizações não-governamentais voltadas a esse tema, exige uma lei ampla, que se aplique a todo tipo de informação pessoal. A idéia é fazer com que dados só sejam utilizados sob consentimento da pessoa. “Essa é uma questão global, e, por isso, deveria haver uma convenção ou tratado internacional”, considera Hendricks. “A privacidade é um direito humano e não uma commodity.”

*Colaboram Felipe Polydoro e Arlete Lorini (de Londres)


 


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