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Marcopolo tem cinco fábricas em cinco países e quer
fechar 2000 com 45% da produção exportada |
De alianças estratégicas
a fusões, a Associação Brasileira
das Empresas do Mercosul calcula que já existem
cerca de 400 acordos comerciais em vigor entre os três
países. Quase 60 envolvem companhias rio-grandenses.
Esse tipo de parceria vai crescer muito, principalmente
entre pequenas e médias empresas, projeta
o consultor Maurênio Stortti, especialista em
comércio internacional. Maurênio lembra
os casos de duas fortes empresas européias, a
irlandesa Dulcini, que produz açúcar líquido,
e a italiana Salume, fabricante de embutidos, que se
estabeleceram recentemente no Estado com a mira no mercado
de língua espanhola. Ele faz questão de
frisar que é vital o Mercosul sair
do Mercosul, abrindo o foco para costurar acordos mais
amplos com outros blocos econômicos, como o Nafta
e a Alca. Está havendo um esgotamento da
capacidade de compra do Uruguai e da Argentina. Para
o Rio Grande do Sul, a salvação não
se limita ao Mercosul, reforça Maurênio.
Integração de qualidade
Embora negue que o Estado dependa exclusivamente
do Mercosul para ter futuro, o governador Olívio
Dutra assina embaixo dos méritos de uma ação
comum entre as três bandeiras que extrapole objetivos
comerciais imediatos. As empresas devem planejar
uma forma de combinar o que se produz lá e aqui
para, juntas, disputar novos mercados, recomenda
o governador, em entrevista a AMANHÃ. O Rio Grande
do Sul, acredita Olívio, deve capitalizar a sua
posição estratégica no ambiente
do Mercosul para garantir que essa integração
não seja apenas de grupos que se alojam em busca
de benefícios.
É cada vez mais difícil
desvincular Mercosul de Rio Grande do Sul. Dissonantes
em vários outros temas, governo e empresários
acabam falando coisas parecidas quando o assunto é
o mercado comum. O acordo patina aqui e ali, enfrenta
desentendimentos momentâneos, mas talvez em quatro
ou cinco anos tenhamos um mar de rosas, superando as
miudezas atuais, estima Paulo Bellini, diretor-presidente
da Marcopolo, empresa líder no segmento de carrocerias
de ônibus, com matriz no pólo metal-mecânico
de Caxias do Sul. A Marcopolo mantém unidades
em mais cinco países a Argentina entre
eles e quer fechar 2000 com 45% da produção
exportada. O futuro do Rio Grande está
profundamente atrelado ao Mercosul, reitera Nuno
de Figueiredo Pinto, assessor econômico da federação
das indústrias, a Fiergs.
O presidente da Fiergs, Renan Proença,
vê no Mercosul a virtude de ter incrementado um
sistema de trocas internacionais que já era praticado
há décadas, entre o Estado e os países
das redondezas. Mesmo com acidentes de percurso
para resolver, como diferenças na tributação
argentina e brasileira com relação à
uruguaia, o empresário se diz satisfeito com
o ritmo da integração: Estamos indo
bem, até. Nelço Tesser, presidente
da Câmara de Indústria, Comércio
e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, lembra que
a proximidade geográfica garante ao Rio Grande
do Sul melhores condições de ser protagonista
da aproximação econômica. Temos
fronteiras e facilidades de comunicação.

  

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