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Futuro da economia gaúcha está vinculado ao sucesso do Mercosul, que promete uma onda de fusões binacionais e algum crescimento de vendas. Com esse respaldo, o Estado quer se tornar o segundo exportador brasileiro

Guilherme Diefenthaeler*

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Alguém já disse que o gaúcho é mais platino do que brasileiro, tem mais afinidade cultural e política com os hermanos da Argentina e do Uruguai do que com cariocas ou baianos. Pode ser um exagero que a geografia explica, mas é inegável que a vizinhança com os dois países cria um forte laço trinacional. Que tem reflexos na paisagem empresarial. Analistas, homens de negócios, autoridades – quase todo o mundo concorda com a idéia de que o futuro do Rio Grande do Sul está diretamente ligado ao futuro do Mercosul. A novidade é que o Mercosul deixa de ser visto somente como um supermercado de produtos e se transforma na arena onde se costuram fusões e joint ventures que resultam na criação de novas empresas voltadas para a conquista de terceiros mercados. Outro efeito recente é que a expectativa de negociar com a numerosa freguesia do Cone Sul vem contribuindo para a atração de indústrias, como as fábricas da Dell Computadores e da GM, que se instalaram no Estado, no último ano. Um dado emblemático: desde que o Mercosul começou a ser desenhado, as exportações gaúchas para a região avançaram a taxas anuais de 22%, ante uma média de 4% para outros países.

A inevitável virada para o mercado externo é uma rara unanimidade entre as projeções sobre a economia estadual. Percebem-se, aí, mudanças importantes: mesmo que os Estados Unidos permaneçam como o principal comprador de artigos gaúchos, o maior crescimento proporcional está nos parceiros da América do Sul, que preferem encomendar produtos acabados a commodities. Naturalmente, uma escolha estimulante para os exportadores. De janeiro a junho, o Estado faturou US$ 591,7 milhões nas vendas para os clientes continentais, ou quase 15% a mais que no primeiro semestre de 1999. Máquinas e equipamentos agrícolas, aparelhos e circuitos eletrônicos, calçados, frangos e móveis encabeçaram a lista de embarques. Tudo isso dá fôlego a uma meta otimista: “É bem possível que nos tornemos o segundo Estado exportador dentro de alguns anos”, cogita o presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Carlos Horn. Hoje, São Paulo lidera o ranking, e o Rio Grande disputa o segundo lugar com Minas Gerais.

Mas não está na coluna das vendas o melhor horizonte para os gaúchos nas planícies do Mercosul. A economista Teresinha da Silva Bello, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), afirma que a “grande arrancada” já se deu há alguns anos, quando as tarifas entre os três integrantes do bloco foram reduzidas. Daqui para frente, ela prevê uma “enorme expansão” de associações binacionais que explorem a complementaridade das cadeias produtivas de um e de outro país. “Isso permite ganhos de competitividade que garantirão novos negócios em mercados pouco explorados, até mesmo fora da América Latina”, idealiza Teresinha. Algumas das parcerias possíveis, que gradativamente começam a ser experimentadas, tendem a reunir carne uruguaia e frigoríficos gaúchos, além de madeira argentina para abastecer fábricas de móveis do Rio Grande do Sul. “Podemos utilizar canais de comercialização que a Argentina tenha para exportar, e vice-versa”, propõe a economista.





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