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Liberdade para aprender No Colégio
Sidarta, não existe grade de horários com as
aulas de cada disciplina. O aprendizado acontece por meio
de projetos temáticos, nos quais as matérias
da pré-escola à 6ª série
são inseridas. Um exemplo é o projeto
batizado de Elos, cujo mote é a Olimpíada de
Sydney. Cada aluno se engaja em um grupo para produzir trabalhos
inspirados no tema. Pesquisando sobre países e bandeiras,
aprende-se História e Geografia. Estudando uma modalidade
como arremesso de peso, toma-se contato com a Matemática.
Nesse processo, o aluno conhece tudo o que precisa,
de uma maneira, no mínimo, bem mais divertida,
conta a coordenadora tecnológica do Sidarta, Cláudia
Vanessa Quaiotti.

Os professores são orientados a usar
ao máximo as ferramentas tecnológicas, que,
ao contrário da maioria dos colégios, não
ficam em um laboratório, mas na própria sala
de aula. Os alunos buscam informações na rede
mundial para incrementar seus trabalhos, apresentados ao professor
usando ferramentas como o programa Power Point, da Microsoft.
Outro dia, um aluno estava superanimado porque descobriu
sozinho como exportar um gráfico do Excel para o Word,
em uma pesquisa que estava fazendo, orgulha-se Claudia,
referindo-se à planilha eletrônica e ao processador
de textos, também da Microsoft.
Mas essa facilidade de acesso à tecnologia
exige cuidados especiais. Cláudia lembra que existem
alunos que, se depender delas, não saem da frente do
computador. Por isso, o currículo é complementado
por atividades esportivas, aulas de música e até
de chinês, que, segundo pedagogos, é ótimo
para estimular o lado direito do cérebro, encarregado
dos processos intuitivos. Em comparação
com alunos de outros colégios onde dei aula, essas
crianças são mais críticas, têm
mais autonomia em relação ao conhecimento, sabem
negociar e têm mais desenvoltura e criatividade,
destaca a coordenadora.
Apesar de não ter como objetivo gerar lucros, a mensalidade
do Sidarta é para poucos: R$ 990 mensais. Na ponta
do lápis, pode ser compensador para uma família
de classe média, já que o regime é integral
(das 8h às 18h), e todo material didático, refeições,
eventos e passeios estão incluídos. Os alunos
têm, por exemplo, aulas de inglês todos os dias.
País de contrastes Experiências
educacionais como a do Sidarta contrastam drasticamente com
o panorama da maioria das escolas brasileiras, em que ainda
há casos de falta de carteiras, quadros-negros e professores
qualificados. Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), 25% dos estabelecimentos de ensino não
possuem sequer banheiro, nem mesa para o professor. E 27%
não recebem água. Outra pesquisa sobre ensino
fundamental, do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz,
encomendada pelo Fundo de Fortalecimento da Escola do Ministério
da Educação (Fundescola), aponta que apenas
4,6% das 54 mil salas de aula que fizeram parte da amostra
possuem dicionário e menos de 1% delas tem exemplares
da Constituição. O levantamento foi feito nas
regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e detectou também
que 25% dos quadros-negros não estavam em boas condições,
61,8% das salas não tinham mesas em estado aceitável
e 30% das escolas funcionavam sem sanitários adequados.

  

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