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| ALFREDO NEGREIRA PATIÑO,
SAPATEIRO APOSENTADO, PESQUISA PREÇOS PARA COMPRAR
UMA NOVA TELEVISÃO |
O Grupo Silvio Santos encontrou uma mina de
ouro no pedaço de mercado que, durante muito tempo,
foi desprezado por produtores de bens e serviços considerados
de elite. Há uma corrida veloz em busca do dinheiro
perdido. E a telefonia móvel é a face mais visível
desse processo. Os celulares tocam, cada um em seu tom, em
qualquer ônibus ou metrô das grandes cidades.
Para se ter idéia, são 19 milhões de
telefones móveis no país, uma média de
um celular para cada 12 brasileiros. Desses aparelhos, 9,5
milhões pertencem às classes A e B, que somam
40 milhões de pessoas, 6 milhões são
da classe C, que abrange 51 milhões de pessoas, e (pode
acreditar!) 3,4 milhões estão no bolso das classes
D e E, nas quais se enquadram 74 milhões de brasileiros.
Nas ruas, o que mais se vê são
modelos pouco sofisticados, como o que a florista Valete Machado,
estabelecida no centro de Porto Alegre, adquiriu há
três anos. É um celular do tipo pré-pago,
a vedete que fez a alegria das operadoras ao popularizar a
telefonia móvel. Segundo dados da BCP Telecomunicações
e da Telesp Celular, que dividem o maior mercado nacional
a Grande São Paulo , os aparelhos no sistema
pré-pago representam cerca de 70% dos telefones móveis
em operação. O produto, que dispensa assinatura
de contrato e mensalidade, pode ser encontrado em lojas especializadas,
magazines de eletrodomésticos e até em supermercados
e postos de gasolina. Parcelado em 12 vezes, sem juros, um
celular simples custa entre R$ 150 e R$ 300, dependendo da
cidade.
A ATL, que explora os mercados do Rio de Janeiro
e Espírito Santo 16 milhões de consumidores
em potencial , já conquistou 1,3 milhão
de clientes, 80% deles de telefones pré-pagos. Foi
um crescimento muito rápido, sobretudo nas classes
C e D, analisa o presidente da ATL, Carlos Henrique
Moreira. A Claro Digital, operadora que atua no Rio Grande
do Sul, tem 70% dos seus 410 mil usuários utilizando
o sistema pré-pago. Nos últimos três meses,
as ativações cresceram 10%. Foi uma conseqüência
de promoções que levaram o serviço até
as classes mais humildes, explica Fábio Monteiro,
gerente de marketing da Telet, dona da marca Claro.
Para as operadoras, o negócio valeu
os investimentos. E para o usuário também
principalmente aquele da chamada economia informal, como a
porto-alegrense Valete. Depois que comprou um celular e implantou
serviço de telentrega, a florista incrementou as vendas
da banca em 40%. Para Geraldo Araújo, vice-presidente
de tecnologia da empresa de telefonia fixa Telemar e fã
de carteirinha dos debates sobre democratização
das telecomunicações, a privatização
do setor quebrou um círculo social perverso no Brasil,
no qual a comunicação via telefone ficava restrita
ao topo da pirâmide. Roberto Isnard, diretor de telecomunicações
da Associação Brasileira da Indústria
Elétrica e Eletrônica (Abinee), tem raciocínio
semelhante. O telefone celular se tornou ferramenta
indispensável, mesmo para aqueles que se dedicam a
atividades mais humildes, como o feirante e o eletricista.
Todos necessitam da comunicação, afirma.
Nas alturas Até o setor
de aviação, que sempre passou ao largo dos hábitos
da população carente, agora quer conquistar
esse público. Propagando uma política de democratização
do transporte aéreo e buscando novas alternativas para
superar a crise que enfrenta, a Vasp reduziu tarifas em até
30% na alta temporada e 40% na baixa. Deu certo. No primeiro
semestre do ano passado, a companhia registrou um acréscimo
de 10% no número de passageiros, efeito creditado às
classes C e D. Melhor do que números, para comprovar
a tese, é a constatação feita pelo diretor
de comunicação da Vasp, Mário Galvão:
Hoje em dia, vemos muitas pessoas com máquina
fotográfica no avião, documentando o seu primeiro
vôo.

  
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