Edição nº158

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Grandes parques de diversões investem milhões de dólares para criar universos fantásticos – e cada vez mais interativos. Inspiradas nessa mania, megacorporações mundiais como a Volkswagen montam os seus próprios ambientes temáticos. Vender também pode ser um espetáculo

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“A vida é mais que uma simples montanha-russa.’’
Essa é uma das frases de efeito dos anúncios da Disney World que, agora, está sendo largamente apregoada no mundo todo. A vida é – ou pode vir a ser – um universo fantástico que os magos da tecnologia, da engenharia e do design tornam possível. Considerando que os parques de diversões norte-americanos atendem a cerca de 300 milhões de pessoas por ano e lucram algo em torno de US$ 9 bilhões, não é de se admirar que ambientes temáticos estejam proliferando nos Estados Unidos e, de uns tempos para cá, penetrando em âmbitos mais cotidianos da economia.

“Já é possível encontrar hospitais, consultórios médicos, até revendedoras de automóveis com ambientes temáticos”, relaciona o consultor de entretenimento Joseph Pine, que escreveu, junto com James Gilmore, o livro The Experience Economy: Work Is Theater and Every Business a Stage, no qual afirma que somente bons produtos e serviços de qualidade não são mais suficientes para os americanos – e que as transações comerciais são, também, uma forma de espetáculo. Nesse livro, os autores descrevem como companhias que exploram recursos teatrais de seus produtos e serviços têm obtido sucesso nos Estados Unidos. “Um dentista do Arizona instalou em seu consultório um motivo indígena elaborado pela mesma companhia que fez o centro comercial Forum Shops, em Las Vegas, cuja decoração simula as ruas da Roma Antiga”, comenta Pine.

O shopping de Las Vegas, a nova Times Square, o consultório desse dentista – todos fazem parte de uma nova onda tecnológica que está permeando os mais ínfimos espaços da vida americana. O Departamento de Polícia de Los Angeles, por exemplo, contratou uma firma para criar um projeto batizado de Por trás do Distintivo: A Vivência do Departamento de Polícia de Los Angeles. A parte central do projeto proporciona aos visitantes um “vôo” sobre Los Angeles por meio de um simulador de helicóptero e oferece a “participação” no treinamento de tiro ao qual os recrutas da polícia são submetidos.

Cada vez mais, qualquer instituição que queira cativar seu público precisará competir apoiada no conceito de parque-restaurante-loja do tipo Sony Metreon (centro de entretenimento da Sony em San Francisco) ou DisneyQuest (parques temáticos interativos da DisneyWorld em Orlando e Chicago). “A idéia originária do parque temático está ampliando seus limites na direção de usos incomuns”, afirma Anthony Esparza, vice-presidente da Paramount Parks. Esparza, que supervisionou o desenvolvimento de Star Trek: The Experience, em Las Vegas, diz que esse tipo de empreendimento está se expandindo com força equivalente nos Estados Unidos e na Europa. “Penso que já exploramos ao máximo a tecnologia disponível”, continua Esparza. “Agora, estamos prontos para um evento divisor de águas, algo como foi a chegada da Disneylândia em 1955.”


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