|
Macroeconomia


Reinaldo Cafeo*

  
Qual
a semelhança entre a inflação e o alcoólatra? Conceitualmente
nenhuma, mas no caso brasileiro...
Na verdade o queremos dizer é que a inflação no Brasil
tem um comportamento parecido com o de um alcoólatra
mal curado: se deixar uma bebida por perto, voltará
a beber.
Tivemos julho complicado e agosto não será diferente.
O IGP-M divulgado ontem foi de 2,39%. Em julho, ficou
em 1,57%.
O que chama a atenção é que novamente o IPA (Índice
de Preços por Atacado) foi alto: 3,10% no período.
O IPA tem 60% no peso do IGP-M.
Isso é sinônimo de que, se houver espaço, o alcoólatra
volta a beber, digo, haverá altas nos preços ao consumidor.
O IGP-M já acumula, em 12 meses, 15,39%.
É certo que não há nenhum indicativo consistente (exceto
o eventual repasse aos preços ao consumidor) que aponte
para inflação descontrolada.
Até
mesmo os técnicos da FGV que apuram o IGP apontam
para 1% em setembro. Mas também é certo que o governo
não pode descuidar.
Em um país que conviveu mais de três décadas com inflação
nas alturas e indexação na economia, não é possível
permitir que aumentos importantes, em sua maioria
vindos do próprio governo, sejam praticados da forma
que ocorreu nestes dois meses.
Vejam que estamos falando somente do controle da inflação,
e não de suas eventuais repercussões ou conseqüências:
reajustes de aluguéis, salários, etc.
Quando o dragão da inflação estava dormente, voltou
à baila com força. Tomara que o nosso paciente, viciado
em bebida, possa se dar conta que é a vida dele que
está em jogo.
No caso da inflação, seria jogar no lixo a única conquista
mais palpável da era do Real.
*
Reinaldo Cafeo é consultor e economista, com pós-graduação
em Engenharia Econômica. Cafeo também é professor
universitário de Administração Financeira e Economia
e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon)
de Bauru. Atualmente, mantém o site Economia Online.
E-mail:cafeo@economiaonline.com.br

|