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O
fair trade não seria uma tentativa de os mercados
internacionais protegerem sua própria produção?
Esse é o argumento asiático. Quando
surgiu o conceito de fair trade,
veio uma forte crítica dos países emergentes
da Ásia. Os primeiros produtos vendidos com
o selo vieram de países de Terceiro Mundo,
da América Central e da Ásia. Eram o
cacau, o café, a banana, vendidos para o mercado
internacional. Nós estamos mais interessados
no mercado brasileiro. Mas também não
vejo como o mercado internacional possa barrar os
produtos de fair trade do Brasil.
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"Deve-se
considerar a violência como uma epidemia.
E a arma de fogo é o vetor dessa doença.
Ela se banalizou e se tornou um fator multiplicador"
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Depois
da avalanche provocada pelos comitês contra
a fome, anos atrás, parece ter havido um refluxo
na adesão dos brasileiros aos movimentos sociais.
A população está desiludida?
Não houve um retrocesso. O movimento continua
crescendo. O que mais se intensificou nos últimos
tempos foi o terceiro setor, inclusive com a possibilidade
de envolver trabalho formal, assalariado. O que falta
é cultura cidadã, é a pessoa
saber o caminho das pedras e fazer alguma coisa com
a sua boa vontade. Tem muita gente querendo ser voluntária,
mas não sabe como se organizar. Falta informação.
E há um excesso de desilusões com os
contínuos problemas sociais. O terceiro setor
mudou a forma de se pensar a questão pública.
Antes, ela era vista apenas como problema do Estado.
Agora, passa a ser responsabilidade de todos.
O Viva Rio defende a proibição do uso
de armas. Mas nem todo o mundo acredita que esse tipo
de medida vá diminuir a onda de criminalidade.
A
arma não é a causa, é verdade,
mas é o principal instrumento da violência
tal como nós temos hoje. A estratégia
para enfrentar esse quadro de violência claramente
fora de controle é baseada em atitudes de saúde
pública. Deve-se considerar a violência
como uma epidemia. Uma estratégia-chave da
epidemiologia é tentar controlar o vetor, o
instrumento que multiplica e agrava o problema. A
arma de fogo é um vetor. O uso de armas se
banalizou e se tornou um fator multiplicador. Nos
últimos 20 anos, houve uma forte mudança
no perfil da criminalidade. O Brasil se tornou campeão
mundial em uso da arma em homicídios. O índice
de uso da arma de fogo é maior que em países
como África do Sul e Estados Unidos. Os tabus
do uso da arma de fogo foram rompidos, sobretudo nas
metrópoles. Uma pesquisa indica que no Brasil
a arma é uma variável importante já
a partir de cidades médias, com 100 mil habitantes.
E a utilização também aumentou
entre jovens.

  
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