Edição nº158

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Muito mais do que a internet, a tecnologia ou a automação presentes nessa tendência, o que muda de maneira significativa é a mentalidade humana. Trabalho em rede, times autogerenciados, atividades simultâneas e visão sistêmica são atributos importantíssimos que qualificam um novo tipo de perfil profissional e corporativo. Se até aqui pudemos realizar atividades, tarefas e processos de maneira excludente, escolhendo entre isto ou aquilo, a economia digital exige o esforço do paradoxo de viver tudo ao mesmo tempo. Não é mais um mundo linear, as ações e seus efeitos são simultâneos. Teremos de ir do OU para o E. Em vez de excluir possibilidades, ser capazes de compatibilizar competências. Os engenheiros terão de ser bons marqueteiros, os advogados serão educadores, os matemáticos precisarão desenvolver uma ampla capacidade de relações interpessoais, e assim sucessivamente. Tudo que parecia organizado por competências estanques deverá ser fundido numa visão holística e num comportamento de aprendizagem permanente. As organizações também vão modificar de forma significativa seu processo para gerar resultados, sabendo criar um ambiente para a multiplicidade de valores e competências humanas. Essa tendência exige uma revisão dos paradigmas a respeito do que é competência. Se até aqui competência estava ligada a ser capaz de gerar resultados, vai se tornar a capacidade de identificar novas maneiras, em diferentes ambientes, para atender a demandas diversas e gerar resultados. O nível de esforço aumenta consideravelmente. E lidar com a diversidade nem sempre é fácil. Entretanto, as oportunidades também se ampliam na medida exata da mudança da mentalidade da organização. E, como qualquer grande tendência, vai decidir os que permanecem e os que desaparecem.

“Teremos de revisar os paradigmas da competência”


“Esta vai ser a premissa na gestão de talentos”


A discussão sobre ética vai ganhar impacto no conjunto de resultados de uma organização. Entretanto, a aplicação desse conceito será muito mais abrangente do que a questão moral envolvida, que é a única preocupação ética com a qual nos envolvemos hoje, e vai ganhar uma dimensão conceitual de maior relevância. O entendimento de ética como integração do indivíduo com sua essência vai passar de uma imagem retórica para ser a premissa na gestão dos talentos humanos das organizações. A cidadania, a missão individual dentro do ambiente coletivo, as aspirações sobre o futuro, a integridade do comportamento e a integração dos valores como família, trabalho, lazer e carreira. Todo esse conjunto de crenças e o reflexo das atitudes na sociedade e no mercado serão preocupações de primeira ordem para qualquer empreendimento que deseje se perpetuar. O nível de estresse, a qualidade das relações e a harmonia das atividades na produção de resultados têm repercussões éticas muito mais impactantes do que nossa percepção alcança. Esse desenvolvimento será vital para as empresas, por extrapolar as questões de mercado e mudar de forma profunda a responsabilidade social das corporações.

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