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Macroeconomia

Por que os juros na ponta não caem?

Reinaldo Cafeo

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Dez em cada dez jornalistas, ao tratarem da notícia econômica, ficam indignados com o fato dos juros básicos caírem, mas, na ponta, para o tomador de recursos, isso não ocorrer na mesma velocidade.

É verdade que alguns bancos já começam a rever as taxas de juros de muitas modalidades, mas é verdade também que essas taxas estão distantes daquelas desejadas por todos.

A aposta do mercado é que cheguemos em dezembro deste ano com uma Selic de 15,5% ao ano. Isso deverá a eqüivaler a uma taxa real, descontada a inflação, entre 8 e 10% ao ano. Vejam que a taxa básica, real, pode até ser de um dígito.

Mas de novo vem a indagação: por que os juros, na ponta, não caem? Existem alguns fatores que levam os bancos sediados no Brasil a retardarem essa queda. Investiguemos alguns pontos:

1) Postura conservadora. Os bancos no Brasil não expandem o crédito com receito do "calote". Emprestam para quem tem dinheiro. O volume de empréstimos no Brasil é infinitamente menor do que outros países se comparadas ao PIB;

2) Custos da estrutura. Os bancos desenvolveram alta tecnologia às custas da inflação. Já se passaram 6 anos do Real, mas muitos deles ainda tem postura pré-Real, ou seja, as taxas de juros devem embutir parte do custo dessa estrutura. Esquecem que as tarifas já fazem isto;

3) Aplicação em títulos públicos. Essa foi a preferência dos bancos quando os juros básicos eram maiores. Agora, não sendo tão convidativo aplicar nesses títulos, estão tendo de manter os juros elevados para compensar as perdas com menor remuneração;

4) Falta de linhas de longo prazo. Não aplicação de longo prazo, portanto, falta hedge para operações mais alongadas.

Vejam que o terceiro item é o indicativo de que os bancos não querem ganhar no volume, voltando à postura conservadora.

Não sendo tão convidativos os títulos públicos, querem ganhar nos juros cobrados ao tomador de recursos.

Considerando que a demanda por crédito ainda é maior que a oferta, estão, por todos esses fatores, distantes de conseguir uma redução significativa na ponta.

Isso inibe um crescimento mais acentuado da economia e mesmo o Governo sinalizando o fim da política monetária "apertada", se os bancos não se dispuserem a expandir o crédito, nada acontecerá.

Ou será que a ameaça de confisco das reservas de álcool também atingirá o meio bancário? Vale uma reflexão.


 

 


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