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O que poderá acontecer se a China optar pelo Linux?

Ed Sperling, Sm@rt Partner

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A questão é mais complexa do que se pensa. São decisões que trazem um impacto global potencial e que poderiam vir para ficar, sem contar a reviravolta que produziriam na indústria da alta tecnologia.

 

Imagine se a Índia, um dos maiores mercados de desenvolvimento de software, também optasse pelo Linux. Razões não faltam. A renda per capita na Índia é consideravelmente mais baixa que a das nações ocidentais, e a adoção do Linux devido ao seu baixo custo, poderia incrementar as vendas de outros softwares e serviços nesse país.

 

A China e a Índia totalizam quase 40% da população mundial. Acrescente-se a isso, a investida da IBM para rodar o Linux nas plataformas de todos seus hardwares, sem contar a popularidade que o Linux conquistou na Europa. É possível imaginar uma rápida virada do equilíbrio de poderes. A Microsoft está preocupada, e não é para menos.

 

Bilhões de clientes potenciais estão em jogo. Assim fica difícil discutir qual sistema operacional ou banco de dados é o melhor. A tecnologia, como a política mundial, é uma loteria.

 

Houve época em que as companhias americanas dominavam todos os aspectos da tecnologia, tomando grande parte das decisões. Tamanho poder parece estar se corroendo rapidamente. Na medida em que os produtos se tornam commodities, como os sistemas operacionais e os aplicativos, as barreiras são derrubadas e a concorrência aumenta.

 

Além disso, com a popularidade da Internet, o mercado internacional tem a faca e o queijo na mão e pode ditar suas regras.

 

Essa tendência já vem tomando espaço há algum tempo. A Computing Technology Industry Association (associação da indústria e tecnologia de informática) tem observado o crescimento da certificação em outros países, e muitas das decisões tomadas hoje envolvem partes de países estrangeiros.

 

Entretanto, jamais um governo estrangeiro tomou decisões no campo de produtos e tecnologias específicas. A Internet, com seus pros e contras, é o maior incentivador da globalização da história da civilização. Parece que, agora, os governos de outros países perceberam seu potencial, um potencial político-econômico.

 

Se seu negócio tem abrangência internacional, como a maioria no comércio eletrônico, as parcerias serão imprescindíveis no sentido de determinar o curso da política. Ninguém quer ser pego desprevenido.


 

 


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