|


 
Em
ano tão cabalístico quanto 2000 exigia
mesmo uma denominação a sua altura.
Assim, a Organização das Nações
Unidas elegeu 2000 como o ano da paz. Nunca um tema
foi tão pertinente e sua importância
tão vital para o progresso da humanidade. Apesar
das muitas manifestações e da vontade
de um enorme número de pessoas em ter paz,
estamos vivendo um tipo inédito de violência.
É sabido que já tivemos muitos períodos
de guerras sangrentas e desigualdades sociais
que são a essência da violência.
Mas o que nem todo o mundo percebe é que a
guerra não é, necessariamente, o oposto
da paz. O oposto da paz é a acomodação,
o conformar-se com um mundo que não é
exatamente o que desejamos. Às vezes, mesmo
estando em conflito com pessoas ou idéias,
podemos estar em paz conosco mesmo. Mas não
estarmos fazendo nada pelo coletivo, tendo a sensação
de que o mundo poderia estar melhor com a nossa contribuição,
que há gente para ajudar, idéias por
transformar e uma sociedade a construir, dá-nos
uma angústia que acaba com qualquer chance
de haver paz.
"É
preciso adotar uma nova postura perante a vida"
O florescimento de organizações voluntárias,
a perenidade da Cruz Vermelha, a missão incansável
da Liga Feminina de Combate ao Câncer, o sucesso
dos clubes de serviço como o Rotary e o Lyons,
entre diversos exemplos, são uma mostra contundente
de que há pessoas que fazem um trabalho real
em prol da paz. Mais do que manifestações
públicas ou discursos brilhantes, é
na ação desses voluntários anônimos
que se cria e se fortalece a paz no mundo.
Não é em gabinetes de governo, com tratados
de alto escalão ou em trincheiras comerciais,
que extinguiremos a desigualdade, o preconceito e
a injustiça social. Os fatos que vivemos nesse
momento de transição histórica
são paradoxais. De um lado, temos sociedades
já há muito vivendo no terceiro milênio.
O nível de conforto, a saúde e a educação
são direitos de todos os seus cidadãos.
Entretanto, dentro dessas mesmas sociedades, temos
populações inteiras vivendo em guetos
sociais. Encontramos um Haiti instalado na capital
do mundo, Nova Iorque. Existem comunidades com padrão
de vida comparado ao da Etiópia em cidades
como, por exemplo, São Paulo.
Sempre que a gente encontra um menino de 5 anos pedindo
dinheiro no semáforo, mal vestido e mal alimentado,
muitas vezes exposto ao frio e à chuva, sentimos
que aquela situação é injusta,
mas não sabemos como resolvê-la.
Fico imaginando se adotássemos essa criança
por uma tarde. Oferecer-lhe um banho quente, um lanche
gostoso e nutritivo e um confortável sofá
onde ela pudesse assistir a desenhos animados como
qualquer outra criança de 5 anos. Seria, sem
dúvida, um sonho de conto de fadas. É
claro que não resolve a vida dessa criança,
mas pode fazer um enorme bem à sua alma.
Agora,
imagine que você possa contribuir para que essa
criança tenha a chance de viver isso todos
os dias. Proporcionar uma chance de ela ser feliz.
Projetos como o Travessia e a Casa da Criança
e do Adolescente, nos morros Monte Serrat e do Mocotó,
em Florianópolis, estão mudando a realidade
e resgatando o futuro de mais de duas centenas de
crianças. Esses são projetos que constroem
um mundo de paz, mas estão sempre em dificuldades.
Mas não é preciso adotar uma criança
por uma tarde. É imprescindível adotar
uma nova postura perante a vida.
Seja um voluntário da paz, coloque seu coração
onde ele é necessário. Tem muita gente
precisando do seu apoio, seja com trabalho, com recursos
materiais ou financeiros, seja com o conhecimento
ou os contatos que você tem. Se cada um de nós
investir 5% do seu tempo para a sociedade, todos teremos
uma comunidade 5.000% melhor. Tem algum outro investimento
que renda tanto?

Dulce
Magalhães é
doutoranda em
Planejamento de Carreira pela
Universidade de Columbia e sócia da
Work
Educação Empresarial
|