Edição nº157

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Dulce Magalhães

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Em ano tão cabalístico quanto 2000 exigia mesmo uma denominação a sua altura. Assim, a Organização das Nações Unidas elegeu 2000 como o ano da paz. Nunca um tema foi tão pertinente e sua importância tão vital para o progresso da humanidade. Apesar das muitas manifestações e da vontade de um enorme número de pessoas em ter paz, estamos vivendo um tipo inédito de violência.

É sabido que já tivemos muitos períodos de guerras sangrentas e desigualdades sociais – que são a essência da violência. Mas o que nem todo o mundo percebe é que a guerra não é, necessariamente, o oposto da paz. O oposto da paz é a acomodação, o conformar-se com um mundo que não é exatamente o que desejamos. Às vezes, mesmo estando em conflito com pessoas ou idéias, podemos estar em paz conosco mesmo. Mas não estarmos fazendo nada pelo coletivo, tendo a sensação de que o mundo poderia estar melhor com a nossa contribuição, que há gente para ajudar, idéias por transformar e uma sociedade a construir, dá-nos uma angústia que acaba com qualquer chance de haver paz.

"É preciso adotar uma nova postura perante a vida"

O florescimento de organizações voluntárias, a perenidade da Cruz Vermelha, a missão incansável da Liga Feminina de Combate ao Câncer, o sucesso dos clubes de serviço como o Rotary e o Lyons, entre diversos exemplos, são uma mostra contundente de que há pessoas que fazem um trabalho real em prol da paz. Mais do que manifestações públicas ou discursos brilhantes, é na ação desses voluntários anônimos que se cria e se fortalece a paz no mundo.

Não é em gabinetes de governo, com tratados de alto escalão ou em trincheiras comerciais, que extinguiremos a desigualdade, o preconceito e a injustiça social. Os fatos que vivemos nesse momento de transição histórica são paradoxais. De um lado, temos sociedades já há muito vivendo no terceiro milênio. O nível de conforto, a saúde e a educação são direitos de todos os seus cidadãos. Entretanto, dentro dessas mesmas sociedades, temos populações inteiras vivendo em guetos sociais. Encontramos um Haiti instalado na capital do mundo, Nova Iorque. Existem comunidades com padrão de vida comparado ao da Etiópia em cidades como, por exemplo, São Paulo.

Sempre que a gente encontra um menino de 5 anos pedindo dinheiro no semáforo, mal vestido e mal alimentado, muitas vezes exposto ao frio e à chuva, sentimos que aquela situação é injusta, mas não sabemos como resolvê-la.
Fico imaginando se adotássemos essa criança por uma tarde. Oferecer-lhe um banho quente, um lanche gostoso e nutritivo e um confortável sofá onde ela pudesse assistir a desenhos animados como qualquer outra criança de 5 anos. Seria, sem dúvida, um sonho de conto de fadas. É claro que não resolve a vida dessa criança, mas pode fazer um enorme bem à sua alma.

Agora, imagine que você possa contribuir para que essa criança tenha a chance de viver isso todos os dias. Proporcionar uma chance de ela ser feliz. Projetos como o Travessia e a Casa da Criança e do Adolescente, nos morros Monte Serrat e do Mocotó, em Florianópolis, estão mudando a realidade e resgatando o futuro de mais de duas centenas de crianças. Esses são projetos que constroem um mundo de paz, mas estão sempre em dificuldades. Mas não é preciso adotar uma criança por uma tarde. É imprescindível adotar uma nova postura perante a vida.

Seja um voluntário da paz, coloque seu coração onde ele é necessário. Tem muita gente precisando do seu apoio, seja com trabalho, com recursos materiais ou financeiros, seja com o conhecimento ou os contatos que você tem. Se cada um de nós investir 5% do seu tempo para a sociedade, todos teremos uma comunidade 5.000% melhor. Tem algum outro investimento que renda tanto?

Dulce Magalhães é doutoranda em
Planejamento de Carreira pela
Universidade de Columbia e sócia da
Work Educação Empresarial

 

 


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