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Um
Baú de experiências
Senor
Abravanel é um nome de respeito. Formado técnico
em contabilidade, foi camelô, dono de bar e
locutor de comerciais radiofônicos. Isso até
aterrissar em São Paulo, já com o pseudônimo
Silvio Santos. Era 1957, e Silvio apresentava a Caravana
do Peru, uma espécie de programa de auditório
em praça pública com shows e sorteios.
Nessas ocasiões, já vendia os famosos
carnês. Em 1958, a primeira experiência
na televisão: locutor de comerciais. Pouco
depois, Silvio comprou um horário na TV Paulista
mais tarde afiliada da Rede Globo ,
onde vendia produtos de suas empresas. No início
dos 70, comprou 40% do Canal Record e, finalmente,
em 1981, Silvio Santos ganhou uma concessão
e lançou a TVS, hoje Sistema Brasileiro de
Televisão. O tempo foi favorável ao
empresário iniciante. Dono de 33 empresas,
com patrimônio pessoal superior a R$ 850 milhões,
Silvio é a pessoa física que mais paga
imposto de renda no Brasil. Ano passado, foram R$
15 milhões. O técnico em contabilidade
(alguém diria?) era um homem de talentos, moldados
em quase 70 anos de vida e mais de meia década
de estrada: locutor, apresentador, empresário
e um grande vendedor. Inclusive da própria
imagem.
Mais
do que força de vontade
Ele era negro, pobre e foi expulso da escola. Mesmo
assim, comandou um dos mais importantes movimentos
sociais do mundo, escreveu tratados sobre igualdade
racial, direitos humanos e educação.
Foi pivô de uma ampla reforma social na África
do Sul, que culminou com o fim do apartheid. Nada
foi fácil nessa trajetória: Nelson Mandela
foi preso em 1962 e condenado à prisão
perpétua, mas nem 30 anos de reclusão
foram suficientes para demover as idéias de
democracia e de igualdade, propulsoras de toda essa
trajetória. Libertado em 1990, Mandela foi
eleito presidente quatro anos depois, aos 75 anos.
Formado por correspondência, reescreveu a história
de um país.
O
executivo que caiu do céu
Ser disputado aos 69 anos de idade é uma experiência
que poucos terão o prazer de viver. Ozires
Silva quase desfez do convite de presidir a Varig,
tantas eram as suas opções profissionais.
Formado em Engenharia Aeronáutica, com pós-graduação
em Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico
da Califórnia, nos Estados Unidos, Silva tem
uma formação exemplar para o cargo.
Mesmo assim, a Varig poderia buscar outros
mais jovens com as mesmas qualificações.
Não o fez porque ninguém poderia ter
a vivência de Ozires Silva, que dirigiu a Embraer
de 1970 até 1986, para voltar depois, de 1991
a 1995, quando conduziu o processo de privatização
da empresa. Foi ainda presidente da Petrobras no governo
Sarney e ministro da Infra-Estrutura no governo Collor,
quando teve sob seu comando gigantes como a Vale do
Rio Doce e o Sistema Telebrás. Além
da experiência no mercado de aviação,
Silva sempre demonstrou enorme desenvoltura nos altos
escalões do poder.

  
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