Edição nº156

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Para garantir o ouro digital, empresas tradicionais ou da Nova Economia não podem dispensar o bom e velho planejamento

Marcelo Pimenta *

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Não existe uma fórmula infalível para um projeto de e-business. Mas, sem alguns ingredientes básicos, não há projeto que vingue. Neste roteiro, estão alguns aspectos que não podem deixar de ser considerados tanto para quem quer mergulhar direto no mundo on-line, quanto para executivos de empresas tradicionais que querem vencer nesta corrida pelo ouro digital.

A TRANSFORMAÇÃO
A essência do e-business é a substituição do intermediário pelo infomediário. Os negócios convencionais não vão sumir, mas terão de se adaptar. Não basta colocar o catálogo no ar nem acrescentar “ponto-com” ao nome da empresa. É preciso revisar o negócio e o conceito a fim de definir uma estratégia de uso da internet.

Todos os negócios estão sendo afetados pela rede mundial. Alguns podem deixar de existir ou se transformar, e outros inteiramente novos devem surgir. Um dos exemplos de serviço exclusivamente virtual são os leilões reversos, onde a pessoa diz o preço máximo que pode pagar e os fornecedores tentam oferecer um produto ou serviço por um valor compatível.

Agora é o consumidor quem detém o poder. As empresas conhecem melhor o cliente, mas enfrentam o desafio de satisfazê-lo cada vez mais. Uma tarefa árdua, já que esse cliente está mais exigente e dispõe de tecnologia suficiente para comparar preços e buscar novos fornecedores de produtos customizados.

A internet não vai revogar a lei de mercado. Os princípios são os mesmos: se o produto não tem consumidores dispostos a pagar pelo seu valor agregado, não há negócio sustentável.

A web é o ambiente dos nichos. Se há um mercado com muitos fornecedores, a oportunidade pode estar do outrolado. Invista em um negócio em que você ainda possa ser líder.

O VALOR DAS IDÉIAS
A inovação é a chave para o nascimento de uma empresa digital. Muitos desejos ainda poderão encontrar um produto ou serviço substituto, similar ou mais barato na internet.
Ainda existem oportunidades inexploradas. Imagine o seu dia-a-dia e tente fazer tudo pela web. Todos os serviços ainda não disponíveis revelam oportunidades. Mas não se iluda, uma empresa “ponto-com” viável segue o mesmo princípio de uma tradicional: receitas maiores que despesas.

A idéia realmente ganha valor quando encontra um empreendedor – ou uma equipe – que acredita nela. Antes de qualquer investidor, quem deve apostar no projeto são seus autores.

No Brasil, não há como patentear idéias para sites. Isso não significa que a propriedade intelectual do negócio on-line não exista. Assim, o conteúdo (texto, fotos, música, base de dados etc.), desde que original e criativo, pode ser protegido com base na Lei dos Direitos Autorais.

O registro dos domínios de sites brasileiros é realizado pela Fapesp (http://registro.br). Nem sempre é possível que a marca tradicional seja também a on-line. A atribuição se dá por ordem de pedido – ganha quem chegar primeiro. Embora sem a garantia da lei, as marcas tradicionais já registradas acabam tendo prioridade sobre as digitais. Pelo menos, essa é uma tendência que vem se confirmando nas decisões judiciais.

BUSINESS PLAN
Para vender sua idéia, é bom ter um projeto bem-estruturado. O Plano de Negócios (Business Plan) deve ser claro. Deve transmitir como a idéia será viabilizada e como os objetivos serão alcançados. Ele é necessário tanto para que a “unidade web” da empresa tradicional possa mensurar resultados, quanto para aquela que já ingressa diretamente no mundo virtual.

Existem vários modelos de planos de negócios. O mais apropriado é o que consegue expor de modo conciso e concatenado a estratégia e as ações táticas. Mostrar um piloto do site também é uma boa forma de tornar o business plan mais objetivo e atraente.

O capítulo das demonstrações financeiras não deve deixar dúvidas sobre receitas, despesas e fluxo de caixa – enfim, quais serão os resultados e de onde eles virão.

QUEM PAGA A CONTA
Nunca houve tanto capital para investimentos na internet. Mas a palavra-chave para o investidor de risco é velocidade. Como a maioria dos negócios não necessita de muito capital para começar, os investidores querem ser os primeiros a alcançar as oportunidades.

A análise de mercado é muito valorizada. Normalmente, o risco só é aceito pelo investidor quando a expectativa de ganho é alta.

Os investidores querem liquidez, isto é, poder sair do negócio a qualquer momento.

Deve-se estar atento ao conteúdo e ao planejamento econômico-financeiro de médio e longo prazos.

COMO FAÇO MARKETING?
Se a TV é promocional e os impressos são informativos, a internet é a mídia do relacionamento. Somente ela pode transacionar on-line com o cliente, e isso deve ser potencializado.

O foco do site deve estar no produto, no conteúdo, na tecnologia, na eficiência e na segurança. Somente depois que todos esses aspectos forem considerados e desenvolvidos é que se deve buscar o apoio da publicidade.

É indispensável que sempre se aproveitem as características da internet como veículo interativo.

AS ALIANÇAS ESTRATÉGICAS
A rede mundial é o ambiente das parcerias. São elas que permitem que as companhias preservem a vantagem de serem as líderes em um segmento.

Em princípio, o melhor parceiro é aquele que atua no mesmo setor de negócios que o seu. Considere seriamente como você e seu competidor podem se beneficiar com uma aliança.

Antes de fechar a parceria, é preciso estar alerta: há armadilhas que são idênticas na Nova e na Velha Economia. Nem todo contrato é idôneo. Tome cuidado antes de assinar um contrato de sua empresa virtual.


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*Colaboraram as empresas que formam o E-businessForum (Silveiro Advogados Associados, CRP – Companhia Riograndense de Participações, HG Partners, Fischer América Sul, KG2 Consulting e Conectt Marketing Interativo). Leia mais sobre o assunto em www.ebusinessforum.com.br.

 


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