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Ações
Quem
tem medo de abrir capital?
Por Michelly
Teixeira e Janaina Gimael

  
O mercado brasileiro de capitais vem passando por
contínuas evoluções. Instituições financeiras de peso
vêem no Brasil um alvo de possibilidades. A preocupação
com a transparência já está chegando à esfera dos
investidores de pequeno porte, antes relegada somente
aos órgãos reguladores e aos clientes mais sofisticados.
Mas diante desta profissionalização
nos deparamos com uma contradição: por que tantas
empresas estão fechando seu capital? E qual a razão
de tão poucas companhias se lançarem no mercado?
Só para ilustrar, em 1999
houve uma queda expressiva no número de empresas que
abriram capital. Neste período, a Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), que responde pela regulação e fiscalização
do mercado de capitais, concedeu 16 novos registros,
ante 137 no ano anterior. Até maio deste ano, a CVM
registrava 1.019 companhias abertas, com 26 fechamentos
de capital em apenas cinco meses. De
fato, é natural que haja insegurança em relação ao mercado
de capitais. Os longos períodos de inflação por que
passou o Brasil ficaram arraigados no pensamento do
empresariado. E não é para menos. O efeito da alta dos
preços no mercado é perverso: encurta o horizonte temporal
do investidor, pois produz incertezas sobre o que acontecerá
no médio e longo prazos. Esta
insegurança, associada às altas taxas dos juros, faz
com que os investidores orientem suas aplicações para
o curto prazo, em que se sentem mais à vontade para
revisarem suas posições e alterá-las quando necessário.
As empresas, por sua vez, se vêem obrigadas a priorizar
os investimentos de horizonte mais curto só para agradar
seus acionistas.
Companhias
Registradas
|
Período
|
Registros
Concedidos
(Abertura
de Capital)
|
Registros
Cancelados
|
Total
de Companhias
|
|
Mês
|
Ano
|
Mês
|
Ano
|
|
|
1992
|
-
|
-
|
-
|
-
|
861
|
|
1993
|
-
|
-
|
-
|
-
|
840
|
|
1994
|
-
|
-
|
-
|
-
|
846
|
|
1995
|
-
|
-
|
-
|
-
|
874
|
|
1996
|
-
|
-
|
-
|
-
|
925
|
|
1997
|
-
|
-
|
-
|
-
|
968
|
|
1998
|
-
|
-
|
-
|
-
|
1047
|
|
1999
Mai
|
8
|
16
|
6
|
26
|
1037
|
|
Jun
|
6
|
22
|
4
|
30
|
1039
|
|
Jull
|
5
|
27
|
4
|
34
|
1040
|
|
Ago
|
2
|
29
|
3
|
37
|
1039
|
|
Set
|
5
|
34
|
4
|
41
|
1040
|
|
Out
|
1
|
35
|
4
|
45
|
1037
|
|
Nov
|
2
|
37
|
2
|
47
|
1037
|
|
Dez
|
1
|
38
|
9
|
56
|
1029
|
|
2000
Jan
|
7
|
7
|
6
|
6
|
1030
|
|
Fev
|
3
|
10
|
5
|
11
|
1028
|
|
Mar
|
4
|
14
|
2
|
13
|
1030
|
|
Abr
|
1
|
15
|
5
|
18
|
1026
|
|
Mai
|
1
|
16
|
8
|
26
|
1019
|
|
Fonte:
CVM - Comissão de Valores Mobiliários
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|
Vale
a pena abrir capital?
Assim
como muitos de nossos projetos são dosados
de pontos positivos e negativos, o processo de abertura
das empresas ao público também envolve
vantagens e desvantagens. Vamos as principais itens.
-
Vantagens
O
fortalecimento do setor privado e a revolução
tecnológica -- que acelerou o desenvolvimento
de algumas empresas e a morte de outras -- tornaram
imperativa a busca de novos mecanismos de financiamento.
Para sobreviverem à forte concorrência,
muitas empresas familiares tiveram de aceitar a participação
de outros investidores em seus negócios, abrindo
mão da estrutura fechada e tradicionalista
para captar recursos. Eis a principal vantagem da
abertura de capital: atrair dinheiro para financiar
projetos, fazer planos de expansão, mudar a
escala de produção, reestruturar dívidas
financeiras e diversificar negócios.
Esta
estratégia gera, também, maior estabilidade
financeira, um pouco graças à presença
de investidores institucionais (seguradoras e fundos
de pensão). Além disso, a companhia
aberta passa a ter uma gestão mais profissional,
uma vez que tem de ser mais transparente, disciplinada
e precisa nomear representantes para prestar contas
aos acionistas. Esta disciplina não apenas
protege os minoritários, mas também
acaba aumentando os lucros do controlador.
Outros
pontos favoráveis são a formação
de uma imagem institucional mais confiável,
que facilita os negócios e gera prestígio,
e os diferenciais competitivos. A companhia aberta
que recorre ao empréstimo bancário para
quitar suas dívidas geralmente paga mais barato
que uma empresa fechada.
A
abertura de capital traz liquidez patrimonial aos
acionistas, que podem negociar sua participação
na empresa a qualquer momento e, com isso, fazer dinheiro.
A flexibilidade para arranjos societários é
outro ponto positivo. O capital aberto oferece mais
alternativas em casos de partilhas de herança,
saídas de importantes acionistas, mudança
na estratégia empresarial e sucessão
de dirigentes.
Por
fim, há a participação acionária
dos funcionários, tendência que está
se firmando nas empresas instaladas no Brasil. A eficácia
desta estratégia dispensa muitos comentários.
Não há dúvidas de que o funcionário
trabalha mais motivado, produtivo e engajado quando
sabe que os resultados da empresa e o seu bolso estarão
estreitamente ligados ao seu desempenho profissional
-
Desvantagens
É
necessário pensar muito bem antes de lançar-se
no mercado de capitais, pois a reversão desta
estratégia é um tanto onerosa. Em geral,
a decisão de abrir uma empresa deve ocorrer
depois de esgotadas todas as possibilidades de geração
interna de recursos, quando o limite de endividamento
aceitável já tiver chegado. Feito isso,
o empresário não pode mais continuar
olhando para a companhia a partir de seus próprios
proveitos. Ele deve reconhecer que no comando da empresa
há uma pluralidade de interesses.
Os
custos são a principal barreira. Ao abrir o
capital da empresa, é necessário montar
um Departamento de Acionistas, onde se concentram
todas as informações que serão
repassadas ao mercado. Também é preciso
contratar uma auditoria independente e uma empresa
para fazer a emissão de ações
escriturais, custódia de debêntures,
serviços de planejamento e de corretagem. Além
disso, há os custos legais e institucionais,
como pagamentos de taxas, anuidades, serviços,
prospectos e divulgação das operações.

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