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Tendências
Rivadavila
Malheiros*

  
A
Nova Expansão Latino-Americana
De
acordo com a Organização das Nações
Unidas (ONU), as economias da América Latina
crescerão 3,75% em 2000 e 4,25% em 2001. O
documento UN World Economic and Social Survey 2000,
divulgado pela instituição, afirma que
este crescimento será baseado no forte incremento
das exportações - resultado do aumento
do comércio
internacional - e na melhora das condições
de financiamento externo.
Parte desta expansão pode ser creditada ao
crescimento dos negócios online nos últimos
dois anos, com um mercado projetado em 40 milhões
de 40 milhões de usuários até
2003. Atualmente, apenas 2% dos 500
milhões de latino-americanos utilizam a Internet,
ante 50% dos norte-americanos.
Um estudo da consultoria Price Waterhouse Coopers
estima que o comércio eletrônico na América
Latina deverá passar dos US$ 170 milhões,
em 1998, para US$ 8 bilhões até 2003.
Em 2004 , apenas o Brasil deverá gerar uma
receita com propaganda online da ordem de US$ 1,6
bilhão.
Não é a toa que a região tem
despertado o interesse de um grande número
de companhias internacionais, como as norte-americanas
Yahoo! - que lançou sites locais no México,
na Argentina e no Brasil - e a América Online
- que se associou ao Grupo Cisneros da Venezuela e
ao Banco Itaú. Também há firmas
de investimento, como a japonesa Softbank, que anunciou
em janeiro um investimento superior a US$ 100 milhões
para companhias de Internet latino-americanas, e a
Hick, Muse, Tate & Furst (HMT&F), que injetou
US$ 7,6 milhões no MercadoLivre no ano passado
e em fevereiro declarou sua intenção
de criar um fundo de US$ 750 milhões para custear
novos investimentos em empresas de TV a cabo, mídia
e Internet.
Mas em matéria de investimentos na América
Latina, a Telefónica da Espanha tem sido embatível,
gastando desde 1998 US$ 8 bilhões somente no
Brasil e US$ 14 bilhões em toda a América
Latina. Inicialmente estes recursos foram destinados
a compras de empresas
de telecomunicações, mas neste último
ano a estratégia é agregar ao império
de telefonia, os serviços de Internet, redes
de TV - abertas e a cabo - e de rádio. Uma
de suas empresas, o portal e provedor de acesso Terra
Networks, em apenas 15 meses lançou seus serviços
no Brasil, México, Chile, Peru, Guatemala,
Argentina, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua,
Panamá e Estados Unidos, além da própria
Espanha.
Do lado norte-americano, a Microsoft adquiriu 11,5%
das ações da maior operadora de TV a
cabo do Brasil, a Globo Cabo, com o objetivo de oferecer
conexões de alta velocidade para a Internet
por meio de cabos. Abaixo estão as previsões
do BBVA (Banco Bilbao Vizcaya
Argentaria) sobre o crescimento do PIB dos principais
países latino americanos:
|
País/ano
|
1999
|
2000
|
2001
|
|
Argentina
|
-2,9%
|
+3,0%
|
+3,8%
|
|
Brasil
|
+1,0%
|
+3,4%
|
+4,5%
|
|
Chile
|
-1,1%
|
+6,1%
|
+5,9%
|
|
Colômbia
|
-4,5%
|
+2,1%
|
+4,5%
|
|
México
|
+3,7%
|
+5,4%
|
+4,0%
|
|
Venezuela
|
+3,8%
|
+4,2%
|
+5,6%
|
|
Peru
|
+7,2%
|
+3,0%
|
+3,3%
|
|
América
Latina
(Média dos sete
países)
|
0,0%
|
+3,9%
|
+4,,3%
|
|
Líderes
Latinos
O comércio eletrônico não é
o único mercado em expansão no México
e no Brasil. As duas grandes potências da América
Latina aceleram seus processos de integração
regionais visando se estabelecerem como
eixos de duas zonas comerciais, uma com predomínio
sobre a América Central e a outra sobre toda
a América do Sul, diversificando assim seus
mercados.
O Brasil está determinado a liderar a integração
sul-americana, apostando num Mercosul forte, integrado
com a Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia.
E o México assinou, na semana passada, um Tratado
de Livre Comércio (TLC) com os presidentes
do chamado
Triângulo do Norte - El Salvador, Guatemala
e Honduras, e convidou para a cerimônia o restante
dos presidentes centro-americanos, assegurando-se,
assim, um maior fluxo de mercadorias para essa região.
A partir de 2001, 65% das exportações
mexicanas para esses países ficarão
livres de tarifas alfandegárias .
No total, o México já assinou dez acordos
de livre comércio com 27 países, incluindo
os 15 países da União Européia.
No acordo com a Europa, os mexicanos esperam diversificar
suas exportações - 80% delas são
destinadas aos Estados Unidos. A partir deste mês,
90% dos produtos industrializados do México
poderão entrar na União Européia
(UE) sem taxas.
O Mercosul vem negociando com a UE um acordo de livre
comércio, entretanto, a negativa de Bruxelas
na liberação da agricultura e nas questões
de agenda acabaram por emperrar o processo. O principal
objetivo deste acordo é o enfraquecimento da
iniciativa dos Estados Unidos de criar uma Área
de Livre Comércio com todo o continente americano.

* Formado em Matemática Aplicada
pela Unicamp, foi responsável pela implementação
de produtos para análise técnica, opções
e câmbio da CMA.
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