Edição nº155 - Junho, 2000


Matéria de Capa

Especial

Wired

Entrevista

Informe Especial

Sua Carreira

As 5 melhores:

A revista

Anteriores

Expediente


Publicidade

Assinaturas

Fale conosco

 


Gustavo Franco*

ECONOMISTA E EX-PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL

Dezoito meses à frente do Banco Central foram mais que suficientes para o polêmico Gustavo Franco garantir um lugar de destaque na recente história econômica do Brasil. Economista com Ph.D. na Universidade de Harvard, l'enfant terrible, como alguns o chamavam, continua um crítico ardoroso da desvalorização do real, mesmo após a convicção ter-lhe custado a presidência do BC. Atualmente, ele divide seu tempo entre as atividades como professor do curso de Economia da PUC/RJ e diretor de uma administradora de fundos e investimentos. Nesta entrevista, Franco passeia por seus temas favoritos — política econômica, mercado externo e câmbio —, aponta que não é mais possível divergir dos consensos internacionais de política econômica e aproveita para tecer uma análise sobre a crise argentina e suas conseqüências para a economia brasileira e para o Mercosul.

por Eugênio Esber

Envie esta página para um amigoMande sua mensagem para a revista Amanhã

O brasileiro tem uma moeda da qual já possa se orgulhar?
Certamente, temos uma moeda de qualidade muito melhor do que tínhamos no começo da década de 90. Mas acho que, infelizmente, um pouquinho do trabalho que foi feito nós perdemos em 1999, com a desvalorização. Estamos hoje numa situação de moeda subvalorizada. Isso significa tornar as importações excessivamente caras e dar proteção a gente que não merecia tanta proteção. Significa criar uma competitividade um tanto artificial para algumas exportações que não teriam competência para abrir mercados no exterior. Em essência, uma moeda subvalorizada como a nossa é um instrumento de redução dos salários e de empobrecimento da população. Não por coincidência, a população revela, hoje, um nível de aprovação do Plano Real muito inferior ao que havia antes da desvalorização.

Acreditava-se que a desvalorização permitiria a volta do crescimento. Isso está acontecendo, não?
Não, é lógico que não. Veja que nós ficamos um ano inteiro, em 1999, com praticamente zero de crescimento. Quer dizer: a desvalorização paralisou o Brasil durante um ano. Então, a tese de que a desvalorização removeria os obstáculos ao crescimento se revelou furada. O problema do crescimento brasileiro é o déficit fiscal. E ele não está resolvido. Tanto que as taxas de juros que estamos vivendo hoje são muito parecidas com as taxas que tínhamos antes das crises da Ásia e da Rússia. E está muito difícil de baixar, como todos estamos vendo.

Também se previa que a desvalorização poderia expor o país a uma volta daqueles níveis assustadores de inflação. Mas isso não se confirmou também...
Felizmente, o Brasil já havia se tornado uma economia de mercado, aberta e competitiva, numa extensão maior do que imaginávamos. O que é bom. O fato de a desvalorização não ter gerado uma catástrofe inflacionária não quer dizer que ela seja boa. Apenas que não produziu a catástrofe.


* Gustavo Franco:
E-mail: gfranco@econ.puc-rio.br
Site: http://venus.rdc.puc-rio.br/gfranco/




Newsletter
Receba notícias exclusivas da revista Amanhã toda semana

Copyright © Revista Amanhã
Created by
Conectt Marketing Interativo