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Gustavo
Franco*

ECONOMISTA E EX-PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL

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Dezoito
meses à frente do Banco Central foram mais que
suficientes para o polêmico Gustavo Franco garantir
um lugar de destaque na recente história econômica
do Brasil. Economista com Ph.D. na Universidade
de Harvard, l'enfant terrible, como alguns o
chamavam, continua um crítico ardoroso da desvalorização
do real, mesmo após a convicção ter-lhe custado
a presidência do BC. Atualmente, ele divide
seu tempo entre as atividades como professor
do curso de Economia da PUC/RJ e diretor de
uma administradora de fundos e investimentos.
Nesta entrevista, Franco passeia por seus temas
favoritos — política econômica, mercado externo
e câmbio —, aponta que não é mais possível divergir
dos consensos internacionais de política econômica
e aproveita para tecer uma análise sobre a crise
argentina e suas conseqüências para a economia
brasileira e para o Mercosul.
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O
brasileiro tem uma moeda da qual já possa se orgulhar?
Certamente, temos uma moeda
de qualidade muito melhor do que tínhamos no começo
da década de 90. Mas acho que, infelizmente, um pouquinho
do trabalho que foi feito nós perdemos em 1999, com
a desvalorização. Estamos hoje numa situação de moeda
subvalorizada. Isso significa tornar as importações
excessivamente caras e dar proteção a gente que não
merecia tanta proteção. Significa criar uma competitividade
um tanto artificial para algumas exportações que não
teriam competência para abrir mercados no exterior.
Em essência, uma moeda subvalorizada como a nossa
é um instrumento de redução dos salários e de empobrecimento
da população. Não por coincidência, a população revela,
hoje, um nível de aprovação do Plano Real muito inferior
ao que havia antes da desvalorização.
Acreditava-se
que a desvalorização permitiria a volta do crescimento.
Isso está acontecendo, não?
Não, é lógico que não. Veja
que nós ficamos um ano inteiro, em 1999, com praticamente
zero de crescimento. Quer dizer: a desvalorização
paralisou o Brasil durante um ano. Então, a tese de
que a desvalorização removeria os obstáculos ao crescimento
se revelou furada. O problema do crescimento brasileiro
é o déficit fiscal. E ele não está resolvido. Tanto
que as taxas de juros que estamos vivendo hoje são
muito parecidas com as taxas que tínhamos antes das
crises da Ásia e da Rússia. E está muito difícil de
baixar, como todos estamos vendo.
Também
se previa que a desvalorização poderia expor o país
a uma volta daqueles níveis assustadores de inflação.
Mas isso não se confirmou também...
Felizmente, o Brasil já havia
se tornado uma economia de mercado, aberta e competitiva,
numa extensão maior do que imaginávamos. O que é bom.
O fato de a desvalorização não ter gerado uma catástrofe
inflacionária não quer dizer que ela seja boa. Apenas
que não produziu a catástrofe.


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