Edição nº155 - Junho, 2000


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Dulce Magalhães

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Uma organização é mais do que processos e tarefas. É uma entidade com capacidade de transformar recursos dispersos em resultados sinérgicos. Entretanto, o volume e o valor de seus resultados são proporcionais à capacidade de implementação de uma estratégia inovadora que inspira as pessoas a irem além de seus limites.

É preciso ter em conta que o que faz tudo "acontecer" são as pessoas. Não a tecnologia disponível, nem o capital, nem mesmo o potencial do mercado. Cada um desses recursos só tem valor e traz resultados na medida exata do domínio de conhecimentos e métodos que os profissionais têm – e do uso que fazem disso.

E mesmo esse conhecimento, se disperso sem sentido comum, sem desafios claros e sem visão sistêmica, é uma capacidade perdida para a organização. Recrutar, selecionar e desenvolver talentos é parte importante na construção do sucesso. Contudo, a questão decisiva é ser capaz de fazer esses talentos interagirem, gerando novos conhecimentos e inovadores modelos de desempenho.


"Se a empresa não avançar, será superada e vencida"

Essa capacidade de implementação estratégica é o formato de gestão escolhido, e seu sucesso depende muito da habilidade da organização em comunicar-se com seus públicos interno, externo, fornecedores, parceiros, concorrentes e comunidade. Obter informações valiosas para o progresso do objetivo estratégico e medir o quanto a operação está vinculada a esse objetivo só acontece quando se trata a comunicação como um processo de mão dupla. Quando essas informações conseguem alcançar todos os indivíduos de uma organização, ela é moldada e transformada, servindo de matéria-prima para a elaboração do conhecimento.

Muitas vezes, a empresa obtém resultados operando de forma conservadora e limitada do ponto de vista da agregação de conhecimento. Entretanto, seu futuro fica seriamente comprometido, pois é fundamental o fomento do progresso. Isso só pode ser alcançado com novas idéias, novos métodos e investimentos em alta performance. Ou seja, é preciso assumir riscos. Num ambiente em permanente movimento, se a empresa não avança – outra avançará – , estará fadada a ser alcançada, superada e vencida por uma concorrência mais audaz e em permanente mobilidade.

Nesse contexto, flexibilidade passa a ser uma palavra-chave. É necessário permitir o espaço para tentativas e erros. Isso é uma maneira de criar um ambiente propício ao florescimento e à atuação dos talentos, que, se bem orientados por metas claras, fazem " acontecer". Recrutar e fomentar talentos é a missão maior da alta gestão – entendendo toda empresa como um ambiente onde é possível pensar, criar e conquistar o sucesso coletivo.

A verdadeira vantagem competitiva não pode ser um único diferencial, mas um conjunto de atitudes e atividades de excelência constantemente alimentadas por informações pertinentes, que devem ser desenvolvidas por pessoas com conhecimento estratégico e movidas por um senso de missão e importância. Com espaço para crescer e condições para agir com coragem, não é possível copiar talentos. Mesmo que essas condições sejam suportadas por crenças bem definidas e por uma estrutura empresarial adequada ao desafio a que se propõe.

Esse conjunto orquestrado estrategicamente é uma organização que aprende (learning organization) com o próprio processo, agregando contínuo valor às atividades que empreende. Como é possível almejar algo fora dessa visão? Não há nada fora disso. Num futuro não muito distante, discutiremos como seduzir pessoas para sonhar a missão de nossa organização. Também será investigado o que motiva uma pessoa a aprender e quais os meios para o desenvolvimento de suas múltiplas inteligências. Na realidade que ainda vamos viver, as organizações serão cada vez mais parecidas com uma escola, porém melhores e mais produtivas. Para algumas empresas, esse futuro já chegou. Essas são as organizações duradouras e vitoriosas.

Dulce Magalhães é doutoranda em
Planejamento de Carreira pela
Universidade de Columbia e sócia da
Work Educação Empresarial

 




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