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A
tecnologia imprime velocidade aos negócios
e forja carreiras que já não cabem no
estereótipo tradicional das profissões.
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Não
é assim, com esse tom quase paranóico, que começam
todas as palestras, livros e reportagens que analisam
o futuro das profissões? Relaxe, há sempre algum exagero
nesses relatos dramáticos sobre o futuro. O problema
é que não está se falando, propriamente, de futuro.
O furacão desencadeado
pela chamada Nova Economia já é uma realidade. Que
não poupa nem mesmo as atividades que estão surgindo
com ela: estima-se que pelo menos 80% dos empreendimentos
de e-business, e-commerce e e-transformation
(essa é nova para você?) não vão resistir sequer
cinco anos. "O cenário e o papel dos atores no
mundo do trabalho já está mudando", avisa o chileno
Daniel Navas Vega, especialista do Centro de Formação
que a OIT (Organização Internacional do Trabalho)
mantém em Turim, na Itália. As palavras de Vega chegam
a ser brandas. Vários dos especialistas ouvidos por
AMANHÃ projetam que, no campo das relações de trabalho,
o mundo deve presenciar nos próximos quatro anos transformações
comparáveis às das últimas três décadas.
Para começar
a entender que horizonte é esse, é preciso olhar com
atenção para algumas velhas referências. O diploma,
por exemplo. Seus pais, seus avôs você mesmo
, todos encararam o canudo como o passaporte
para o exercício de uma profissão. Ben Verwaayen,
o prestigiado vice-chairman da Lucent, também
embarcou nessa quando ingressou na faculdade. Mas
é o primeiro a dizer que não dá mais para pensar assim.
"Hoje, já não se trabalha mais com profissões,
mas com atividades", sustenta Verwaayen, acrescentando,
para ser mais claro: "Eu sou um exemplo disso.
Sou cientista político de formação e ocupo o cargo
de vice-chairman numa das maiores empresas
de tecnologia do mundo". Quem quiser entender
esse enlace, digamos, heterodoxo entre o cientista
político e o ambiente da alta tecnologia, terá de
assimilar alguns conceitos. O primeiro deles: conhecimento
não é tudo. "É preciso unir várias capacidades,
ter intuição, saber tomar decisões rápidas",
aconselha Verwaayen. Sem isso, fica difícil encontrar
um bom lugar no mercado de trabalho. Ou, pelo menos,
conseguir uma vaga em empresas como a Lucent.
A
técnica ainda é importante, claro, esclarece
a socióloga Rosinha Carrion, da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Mas é encarada pelas
empresas como algo mais adquirível. E
o que realmente faz a diferença? Vivências no exterior,
sociabilidade, curiosidade, além do domínio de várias
línguas uma lista longa e que mais parece descrever
um super-herói. Há uma ruptura no tipo
de trabalho e nas expectativas, situa
a socióloga. Hoje, quando se contrata
alguém, não é para assumir um cargo, mas para solucionar
desafios. E isso está alterando profundamente o perfil
dos profissionais em geral.
É claro que os
cursos superiores estão no epicentro desse debate.
Antes, o conhecimento que se adquiria em uma faculdade
era combustível suficiente para os próximos 20 anos
de trabalho. Hoje, o curso de graduação tem de ser
visto como apenas um iniciador da caminhada, compara
o professor de pós-graduação em Administração da ESPM
e da Fundação Dom Cabral, Eduardo Rienzo Najjar. "Assim
que terminar a graduação, o profissional já deve ter
em mente qual o próximo curso a ser feito, sob pena
de se desatualizar" alerta.
Não é por outra
razão que pipocam pelo país os cursos de MBA (Master
in Business Administration). Sua característica é
a agilidade. Eles podem ser criados e modificados
com mais rapidez que os cursos universitários, conseguindo,
assim, acompanhar as mudanças do mercado de trabalho.
O curso de e-business da Fundação Getúlio Vargas
surgiu assim. As inscrições se iniciaram em março,
e já se formaram 11 turmas, que reúnem cerca de 400
alunos. "Eu não diria que a faculdade forma mal.
O que acontece é que as transformações na área dos
negócios são muito rápidas, e fica difícil acompanhá-las",
contemporiza Ricardo Spinelli, diretor da FGV Management.
"O que está acontecendo é que hoje é preciso
voltar a estudar a cada dois ou três anos para estar
em sintonia com o mercado. E os cursos de latu
sensu, no caso os MBA, têm mais flexibilidade
que as universidades."

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Colaboraram: Consuelo Bassanesi, Martha Batalha, Denise
Camargo e Sheila Meyer
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