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Fundos
multiplicam investimentos em projetos de internet
na América Latina. Mas pôr a mão nos dólares
que eles oferecem não é tão fácil assim
  
Há dinheiro pesado à
disposição de empreendedores virtuais com boas
idéias na cabeça. Incubadoras de projetos voltados
à internet calculam que o montante de recursos
reservado ao Brasil pelos principais fundos
de investimento atingiria a cifra de US$ 3 bilhões.
Estima-se que 50 desses fundos estejam em movimento
na América Latina. Uma única companhia do ramo,
a South-Net, pretende injetar US$ 210 milhões
no continente, costurando parcerias com brasileiros
e argentinos. Criada pelo Southern Cross Latin
America Private Equity Fund, a South-Net recheou
um pacote de recursos só para financiar projetos
luminosos no campo do comércio eletrônico. Está
de olho em novidades que, obviamente, mostrem-se
viáveis e prometam lucratividade, num mercado
que, de acordo com o International Data Corporation
(IDC), deve envolver mais de 180 milhões de
usuários-fregueses nos próximos três anos.
O capital em jogo é
mesmo alto, e a concorrência, obviamente grande.
“Não diria que há um ‘excesso’ de capital no
sentido de que exista demais – isso seria ruim
– , mas no sentido de que há abundância”, conceitua
Bob Wollheim, presidente da StarMedia Brasil
e um dos fundadores da Ideia.com. Encontra-se
nesse endereço uma EcoNet (Economic Network),
cujo objetivo é fomentar iniciativas de internet
na América Latina, ajudando empresários a estruturar
negócios, desde a fase de montagem da equipe
ideal até o desenho da estrutura de funcionamento.
Em seu site, a Ideia.com deixa claro que só
levará adiante uma avaliação se confiar no potencial
de retorno tanto para o idealizador – que pode
se candidatar preenchendo um formulário disponível
na rede – quanto para o investidor, é claro.
Em princípio, diz ele,
qualquer empresa que tenha aquela idéia bacana
pode receber os fundos que a viabilizem. Mas,
na prática, é preciso que a interessada demonstre
que é mesmo capaz de implementá-la. “Com a Nasdaq
instável, isso é cada vez mais importante”,
acrescenta. Vale lembrar que a parcela de empreendedores
que vêem a cor das verdinhas é minúscula: não
passa de 1%. E míseros 0,2% das propostas gerariam
negócios lucrativos. Para Wollheim, os três
requisitos básicos são, simplesmente, ter uma
boa idéia, elaborar um bom business-plan e recrutar
um bom time para executá-la. “Nós escolhemos
aquelas empresas nas quais vemos maior potencial,
aquelas que não sejam me too, que apenas querem
fazer mais um portal disso ou daquilo, uma loja
virtual e assim por diante”, explica.
Por volta de 1995,
quando era dono de uma empresa de design gráfico,
a Publi/3, Wollheim enxergou que a internet
iria longe e inventou uma web design shop, que
atendeu a clientes como Pernambucanas e Grupo
Ticket. Hoje presidente da StarMedia Brasil,
ele entende que, para emplacar um projeto na
internet, a pessoa deve ter certeza de que será
vencedora e estar disposta a dar o sangue, “literalmente”,
por isso. “Se seu plano é ficar milionário,
esqueça, não vai funcionar. Tem muito mais suor
nisso do que crê a vã filosofia”, desmistica
o executivo. E o risco? Sempre é grande. Wollheim
não considera os negócios virtuais seguros do
ponto de vista tradicional. Mas, ele garante,
se houver um bom plano, pessoas capazes, e muita,
mas muita dedicação, as chances de a empreitada
dar certo são bem maiores.

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