Edição nº154 - Maio, 2000


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Fundos multiplicam investimentos em projetos de internet na América Latina. Mas pôr a mão nos dólares que eles oferecem não é tão fácil assim

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Há dinheiro pesado à disposição de empreendedores virtuais com boas idéias na cabeça. Incubadoras de projetos voltados à internet calculam que o montante de recursos reservado ao Brasil pelos principais fundos de investimento atingiria a cifra de US$ 3 bilhões. Estima-se que 50 desses fundos estejam em movimento na América Latina. Uma única companhia do ramo, a South-Net, pretende injetar US$ 210 milhões no continente, costurando parcerias com brasileiros e argentinos. Criada pelo Southern Cross Latin America Private Equity Fund, a South-Net recheou um pacote de recursos só para financiar projetos luminosos no campo do comércio eletrônico. Está de olho em novidades que, obviamente, mostrem-se viáveis e prometam lucratividade, num mercado que, de acordo com o International Data Corporation (IDC), deve envolver mais de 180 milhões de usuários-fregueses nos próximos três anos.

O capital em jogo é mesmo alto, e a concorrência, obviamente grande. “Não diria que há um ‘excesso’ de capital no sentido de que exista demais – isso seria ruim – , mas no sentido de que há abundância”, conceitua Bob Wollheim, presidente da StarMedia Brasil e um dos fundadores da Ideia.com. Encontra-se nesse endereço uma EcoNet (Economic Network), cujo objetivo é fomentar iniciativas de internet na América Latina, ajudando empresários a estruturar negócios, desde a fase de montagem da equipe ideal até o desenho da estrutura de funcionamento. Em seu site, a Ideia.com deixa claro que só levará adiante uma avaliação se confiar no potencial de retorno tanto para o idealizador – que pode se candidatar preenchendo um formulário disponível na rede – quanto para o investidor, é claro.

Em princípio, diz ele, qualquer empresa que tenha aquela idéia bacana pode receber os fundos que a viabilizem. Mas, na prática, é preciso que a interessada demonstre que é mesmo capaz de implementá-la. “Com a Nasdaq instável, isso é cada vez mais importante”, acrescenta. Vale lembrar que a parcela de empreendedores que vêem a cor das verdinhas é minúscula: não passa de 1%. E míseros 0,2% das propostas gerariam negócios lucrativos. Para Wollheim, os três requisitos básicos são, simplesmente, ter uma boa idéia, elaborar um bom business-plan e recrutar um bom time para executá-la. “Nós escolhemos aquelas empresas nas quais vemos maior potencial, aquelas que não sejam me too, que apenas querem fazer mais um portal disso ou daquilo, uma loja virtual e assim por diante”, explica.

Por volta de 1995, quando era dono de uma empresa de design gráfico, a Publi/3, Wollheim enxergou que a internet iria longe e inventou uma web design shop, que atendeu a clientes como Pernambucanas e Grupo Ticket. Hoje presidente da StarMedia Brasil, ele entende que, para emplacar um projeto na internet, a pessoa deve ter certeza de que será vencedora e estar disposta a dar o sangue, “literalmente”, por isso. “Se seu plano é ficar milionário, esqueça, não vai funcionar. Tem muito mais suor nisso do que crê a vã filosofia”, desmistica o executivo. E o risco? Sempre é grande. Wollheim não considera os negócios virtuais seguros do ponto de vista tradicional. Mas, ele garante, se houver um bom plano, pessoas capazes, e muita, mas muita dedicação, as chances de a empreitada dar certo são bem maiores.



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