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Internet acessível e acessável
Por Stephania Fincatti*
Mais de 18% dos internautas brasileiros, segundo o Comitê Gestor
da Internet, pertencem às classes C, D e E. Embora ainda não
constitua uma maioria, esse crescente número de pessoas conectadas
caracteriza o novo público da rede. São cerca de 40 milhões
de internautas no Brasil, segundo a Cetelem, sendo que 6 milhões
são da classe C e entraram na internet nos últimos três
anos. Estimuladas pela conjuntura macroeconômica favorável,
com a valorização do real, crescimento de financiamentos,
além de programas governamentais de inclusão, a população
se muniu de tecnologia e desbravou as fronteiras do mundo digital. Nesse
espaço infinito, o mundo real se fundiu ao online, criando realidades
paralelas e um novo mercado.
Para essa faixa que ainda tem o dinheiro como fator decisório
de compra, a internet representa uma quebra de paradigma. Com a propagação
das linhas telefônicas e computadores em mãos, não
é necessário ter um alto poder aquisitivo para acessar
a rede. A concorrência está mais acirrada e os benefícios
para conquistar os clientes que só podem navegar via dial-up
crescem a cada dia. Há provedor que oferece conexão imediata
e garantia de linhas desocupadas e outros que remuneram em dinheiro
ou em prêmio a navegação de seus clientes.
Nesse contexto, no qual otimistas vislumbrariam as telas brancas ao
lado dos televisores, tamanha a sua inserção no dia-a-dia
da comunidade, cabe reavaliar os papéis da internet – que
já pode começar a clamar por acúmulo de funções.
Em primeira instância, há de se considerar seu papel social.
Afinal, mesmo com o crescimento, há uma forte deficiência
na escolaridade.
É certo que esses seres inanimados, turbinados por softwares
de todas as gerações possíveis, não fazem
nada por ninguém. Mas despertam a vontade de fazê-lo. Têm
potencial para ser meio de acesso à informação,
à integração e até mesmo a serviços.
No virtual, coabitam todas as classes. Qualquer um pode olhar artigos
de luxo de chinelos. Se não irá adquirir os produtos,
tudo bem, mas terá a oportunidade de conhecê-los.
Nessa feira livre da pós-modernidade, surge um mercado aberto
a todos os tipos de bolsos, culturas e gostos. Sem essas barreiras e
pré-conceitos, todos podem se transformar em clientes. Em consumidores
2.0, Eles analisam os produtos e serviços, trocam informações
com outros usuários, pesquisam a concorrência e deixam
sua impressão estampada para todo o mundo. Nos EUA, 70% dos internautas
já usaram a gama de mídias sociais para obter informações
de produtos antes de fechar a compra.
De portas abertas a quem desejar entrar, a internet expõe suas
infinitas possibilidades de atuação, sejam elas positivas
ou não. Você está preparado para enfrentar esse
mercado sem fronteiras?
* Gerente de marketing da Orolix.
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