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Use
e abuse dos indicadores de desempenho
Por Maurício Telloli*
Os “Indicadores Chave de Desempenho”, ou KPI (do inglês,
Key Performance Indicator) já não são
mais um privilégio restrito à área de logística.
A iniciativa se mostrou tão eficaz que as empresas passaram a
adotar os indicadores em diversos setores, promovendo um gerenciamento
focado em pontos vitais para o negócio. Entretanto, existe outra
forma de gerenciamento que, ao invés de vital, mostra-se letal:
trata-se dos “Indicadores Chave de Desastre”, ou KDI’s
(do inglês Key Disaster Indicator).
Os desastres acontecem, principalmente, por ineficiências de
gestão – sejam elas departamentais ou gerais. As circunstâncias
podem levar ao caos se nada for feito. Eles podem estar acontecendo
numa área específica ou em mais de uma. Podem ter-se iniciado
numa determinada gerência e contaminado outras. É fundamental
descobrir onde começou o processo. Quer descobrir o atalho para
se livrar dos desastres? Faça o caminho de volta da situação
que se apresenta como crítica – você entenderá
onde o problema começou e o que deve fazer para revertê-lo.
Um exemplo prático: as vendas estão indo mal. Contudo,
os “Indicadores de Desastres” mostraram que o problema não
estava na equipe comercial, e sim no processo que antecede as vendas.
Acompanhe o passo-a-passo a seguir:
- alto índice de ruptura nos estoques para venda
- a ruptura era causada por falta de produção
- a falta de produção era causada pela falta de matéria-prima
e de embalagens
- a falta de matéria-prima e embalagem era causada por falta
de planejamento
- a falta de planejamento era causada pela falta de processos estabelecidos
- a falta de processos estabelecidos era causada pela falta de profissionais
com know-how
- a falta de profissionais com know-how era causada pela ineficiência
na admissão de pessoal
- a falta de eficiência na admissão de pessoal era causada
pela falta de um job description adequado
O importante é detectar, rastrear e eliminar os KDI’s.
Senão, você fará gestão de perdas em vez
de gestão de desenvolvimento. E toda a energia da empresa será
jogada fora, pois o foco sempre estará na busca de soluções
no lugar errado.
* Maurício Telloli é sócio-idealizador da
consultoria Na Prática é Diferente, especializada em varejo,
com sede em São Paulo.
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