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A
“escola Russa” de exploração em terra
Por Carlos Serapião*
É impressionante como o Brasil conhece pouco o potencial de
cooperação com a Rússia – e vice-versa. Entre
os BRICs, há uma grande articulação nossa com China
e Índia, e também da Rússia com estes dois últimos.
Mas não entre Rússia e Brasil.
Uma das áreas de grande potencial é a exploração
de petróleo e gás em terra (ou onshore, conforme
o jargão do setor). Explico melhor: o Brasil, por razões
históricas, concentrou sua exploração e produção
na Bacia de Campos, agora na do Espírito Santo e de Santos. Ou
seja, no mar (offshore).
Em terra, o Brasil produz muito pouco (menos de 10% do total), por
uma razão simples: a Petrobras nunca investiu muito em prospecção
de nossas bacias sedimentares terrestres (4,9 milhões de quilômetros
quadrados), tipo de formação geológica onde dá
petróleo e gás no mundo inteiro. Na verdade, menos de
10% dessas áreas já foram estudadas para fins de avaliação
de seu potencial petrolífero.
Nossas bacias terrestres de formação paleozóica
e proterozóica são muito semelhantes às bacias
produtoras da Sibéria. A experiência russa de prospecção
petrolífera em terra é a mais bem-sucedida do mundo e
nos interessa muito.
Até hoje, a Petrobras e outros centros de P&D no Brasil
conheceram, sobretudo, as experiências americana e canadense de
exploração em terra. Está na hora de nos voltarmos
também para a chamada “escola russa”. Teremos muito
a ganhar, desde a aplicação de métodos potenciais
até o aprendizado de tecnologias de geofísica terrestre
e de perfuração de poços.
* Carlos Serapião Jr., ex-diplomta, consultor e empresário
na área de petróleo e gás. Atualmente mora em Moscou.
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