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O
futuro promete, só não se sabe exatamente o quê
Por Marcelo Morem*
A melhor coisa na formação de uma associação
representativa de classe não é a regulamentação
que ela define para uma indústria ou um grupo de interessados.
É o debate e o questionamento gerado pelas empresas e profissionais.
Pois há uma discussão rica acontecendo na AGADi (Associação
Gaúcha das Agências Digitais) da qual estou tendo a oportunidade
de participar. Um dos temas em questão é “quem vai
dominar o mercado de internet corporativa”. Assunto complexo,
portanto. Talvez devêssemos convidar a Mãe Dinah (eu ainda
prefiro o Peter Schwartz) a participar da lista de discussão,
já que há uma porção de cenários
sendo especulados no momento. E, obviamente, há uma certa ansiedade
e apreensão de todos.
O primeiro cenário trata da possibilidade de estabelecimento
de grupos internacionais, encabeçados por grandes agências
digitais americanas e européias, transformando em subsidiárias
as agências locais dos mercados geográficos emergentes,
o que inclui Brasil. Como exemplo, temos o caso mais notório
até o momento, da compra da AgênciaClick pela Isobar. Em
complemento a este alinhamento global, a Advertising Age divulgou uma
pesquisa, afirmando que as agências digitais vão assumir
a estratégia dos clientes em 10 anos. Eu daria o nome de “sob
nova ordem” a este cenário, que uma vez concretizado poderia
criar nova indústria em escala mundial, suprimindo aos poucos
a indústria da propaganda como conhecemos.
O segundo cenário é o que eu chamo, por razões
óbvias, de “despertar do gigante adormecido”. As
agências de propaganda e afins, depois de quase uma década
praticamente à margem da internet corporativa, resolveram mostrar
sua força, como comprovam os movimentos recentes de grandes nomes
do mercado, como DCS e F/Nazca. O fato é que a indústria
da propaganda tem e movimenta muito dinheiro. É fato também
que as agências digitais começam gradualmente a comer pelas
beiradas uma parte deste dinheiro. E os publicitários podem conhecer
pouco de tecnologia da informação, mas conhecem demais
comunicação de marketing. A efetivação deste
cenário implicaria uma reorganização da indústria
da propaganda e poderia transformar a indústria da internet corporativa
em um simples segmento de mercado.
Por fim, o terceiro cenário especulado, que poderia ser batizado
de “competição 2.0”, visto que aposta muito
mais nas redes de valor colaborativas e menos na concorrência
direta. A internet corporativa é ainda uma indústria “pré-adolescente”,
em busca de uma identidade. A gestão das agências digitais
atuais vem se profissionalizando gradativamente, o que significa melhor
capacidade de segmentar o mercado, escolher os alvos corretamente e
se posicionar de modo relevante. Em vez de concorrerem entre si, as
empresas comprariam soluções umas das outras e fariam
associações para vender a compradores de interesse comum.
Agora, a grande questão: qual o cenário mais provável
de acontecer? Uma das poucas coisas que aprendi em planejamento de cenários
(aprendi pouco por que estudei pouco) é que na imensa maioria
das vezes não há concretização de um cenário
ou de outro. Os autores holandeses, maiores referências nesta
disciplina, dizem para nos prepararmos para cenários que são
híbridos de dois ou mais cenários “exatos”
previstos. Eles dizem também que devemos especular o maior número
de cenários possível. Portanto, sugiro que continuemos
especulando, sem pânico. É o que eu vou continuar fazendo.
Assim, não vou me surpreender se, em cinco anos ou menos, uma
grande agência de propaganda estiver dividindo com uma agência
digital multinacional a liderança da indústria da internet
corporativa no Brasil, sem necessariamente estarem concorrendo entre
si e eventualmente até fazendo alguma aliança estratégica.
* Marcelo Morem é gerente de Marketing da AG2 - Agência
de Inteligência Digital S.A, de Porto Alegre.
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