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A
vez dos rosés?
Por Christian Bernardi*
Há dois ou três anos aposta-se no estouro dos vinhos
rosés no Brasil. A cada ano as vinícolas investem mais
nessa variedade. Lançamento de novas marcas, surgimento de novos
produtores, diversificação dos estilos. Enfim, um entusiasmo
generalizado. É bem verdade que houve um crescimento muito significativo
de volumes em relação aos anos anteriores, mas qual é
o real impacto dos vinhos rosés no mercado brasileiro? Estariam
os consumidores tão empolgados quanto os produtores? Os volumes
de vinhos rosados atingirão, pelo menos, o patamar dos vinhos
brancos? Não conhecemos essas respostas, mas o importante é
que o vinho rosé reapareceu, trouxe para dentro das vinícolas
alguns conceitos de vinificação que estavam um pouco esquecidos
e o resultado de tudo isso tem sido muito gratificante.
Atuando na área produtiva de vinhos, observamos e aprendemos
muito com os rosés, seja pela constante necessidade de aprimorar
os processos de elaboração, seja pelas gratas surpresas
no resultado final. Os vinhos rosados tiveram certo momento de esquecimento
no mundo vinícola e, nesta retomada, precisam adaptar-se a um
novo conceito. Devem saciar um consumidor que anseia por novidades,
sabores diferentes, aromas exóticos, cores deslumbrantes.
Quanto à elaboração, cada vinícola ou
enólogo trabalha com filosofias distintas. Independente da forma
de elaborar vinhos rosés, o importante é ter nele um estilo.
O visual dos rosés vai desde cores pouco intensas, como o salmão
claro, até matizes de cereja ou violáceo mais intenso.
Não se pode dizer que têm aromas de vinhos brancos, mas
sim aromas do frescor de um vinho branco, com uma intensidade de frutado
maior. No paladar, geralmente encontram-se muito equilibrados, proporcionando
frescor na medida certa.
Enfim, aguardamos o julgamento dos apreciadores, que darão
a palavra final.
* Enólogo da Vinícola Aurora e vice-presidente da
Associação Brasileira de Enologia (ABE).
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