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TV
Digital: reflexos sobre a economia brasileira
Por João Antonio Zuffo*
Às vésperas do início da Copa do Mundo de futebol,
no Rio de Janeiro, José e Adalberto discutiam sobre o sistema
de TV Digital adotado no Brasil há mais de um qüinqüênio.
José: “Hoje todas as Capitais e principais cidades do
interior dispõem de transmissão de TV Digital de Alta
Definição. Os consumidores adquiriram mais de 30 milhões
de terminais de acesso, desde os de menor custo, hoje em torno de R$
100, até os mais caros, que permitem o acesso à Internet.
Eu mesmo tenho uma TV convencional de 34 polegadas que tem um terminal
de acesso. Espero assistir de ângulo privilegiado os jogos da
Copa.”
Adalberto completou: “O sistema de TV Digital adotado no Brasil
não prejudicou, pelo contrário, melhorou muito a qualidade
do sinal para quem usa receptores de TVs analógicas. Isso permitiu
mobilidade, por exemplo. Por causa disso, não perderei os jogos
e poderei assisti-los diretamente em meu celular enquanto viajo.”
“Para mim, TV digital tem sido uma mão na roda”,
manifestou-se José. “Como educador a existência de
múltiplos programas de ensino, em resolução convencional,
simultâneos em um único canal, voltados a diferentes níveis
educacionais foi de um auxílio incomensurável. Hoje, diferentes
classes e disciplinas podem ter acesso a vídeos divulgados por
Universidades e Secretarias de Educação estaduais. A interatividade
complementada pela Internet permitiu um crescimento drástico
do oferecimento de educação a distância, por isso
o Brasil está reduzindo o índice de analfabetismo e melhorando
o conhecimento médio da massa populacional.”
“E sob o aspecto da publicidade”, continuou Adalberto,
“minha agência especializou-se em propaganda personalizada
voltada às categorias sociais em determinadas regiões
específicas. Com a TV Digital todas estas facilidades são
possíveis – o que torna a propaganda mais aceita pelo telespectador.
A interatividade da TV Digital oferece uma opção valiosa
permitindo a presença e uso cada vez mais freqüente da Internet
banda larga nos lares.”
“Porém, nem tudo são flores”, refletiu José.
“No horizonte temos a presença cada vez mais acentuada
da IPTV e a comunicação em banda larga já cobre
todos os municípios brasileiros. Os receptores atuais, na verdade,
já são um misto de TV, celular e computador. E como resultado
da convergência digital, a TV difusora encontra-se frente a um
enorme desafio futuro, à medida que sistemas Wi Max
fixos e móveis estão se expandindo pelo país.”
.José continuou: “Todavia, as principais redes de TV
difusora precaveram-se contra isso, concentrando-se na geração
de conteúdos de qualidade em Alta Definição. Destacamos
que os conteúdos são os únicos elementos duradouros
nessa imensa evolução tecnológica que ainda hoje
atravessamos.”
“De qualquer forma, hoje, tendo milhares de transmissores instalados
e cobrindo todo o território nacional, podemos considerar que
o sistema de TV Digital brasileiro está consolidado. Em poucos
anos, as transmissões de TVs analógicas estarão
encerradas e em uma década este último sistema será
considerado coisa do passado”, disse Adalberto, encerrando a conversa.
* Coordenador Geral do Laboratório de Sistemas Integráveis,
Professor Titular da Escola Politécnica da USP e autor da série
de livros “A Sociedade e a Economia no Novo Milênio”e
do livro “Flagrantes da vida no futuro”.
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