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A
Rússia tem pressa
Por Carlos Serapião Jr.*
Em Moscou, onde vivo há pouco mais de um ano, estou enriquecendo
minha visão do Brasil. Quando se vive no exterior, as comparações
com o nosso país são inevitáveis, mas também
frutíferas. E adquirimos uma perspectiva mais panorâmica,
como se estivéssemos num sobrevôo.
A Rússia praticamente quebrou no início dos anos 90.
Mas, a partir de 1999, vem crescendo cerca de 7,5% ao ano. Grande parte
dos magnatas de hoje estava empobrecida há dez anos. O ritmo
das transformações tem sido vertiginoso. O processo decisório
empresarial aqui foi obrigado a adquirir um ritmo particularmente veloz
e agressivo. Supostamente, as decisões não são
à prova de erros - que sempre existem e devem ser corrigidos
ao longo do processo. O único erro imperdoável na Rússia
hoje é demorar muito para fazer o que seja.
Moscou – a exemplo de Buenos Aires para a Argentina - é
como se fosse a soma de Brasília (capital política), São
Paulo (centro econômico-empresarial) e Rio de Janeiro (pólo
cultural e turístico), adicionando algo de Belo Horizonte e Porto
Alegre. A concentração em Moscou faz da Rússia
um país meio monótono com o tempo. Já uma das maravilhas
do Brasil é a real diverficação geográfica
de seus ativos sociais. Isto nos dá uma força e uma beleza
que deveríamos divulgar mais no exterior, não ficar somente
explorando os aspectos exóticos de nossas festas populares e
de nossa natureza.
Um dos exemplos dessa diversidade é a AMANHÃ (tanto
a revista impressa quanto a newsletter e o conteúdo online),
que a partir de Porto Alegre produz um jornalismo econômico-empresarial
com foco local e visão global. Tenho aprendido muito sobre o
Sul, o Brasil e o mundo em geral através da AMANHÃ. Espero
que a AMANHÃ continue e aprofunde esse seu perfil de cobertura
do universo empresarial, porque há raras publicações
análogas no Brasil.
* Carlos Serapião Jr., 42, ex-diplomata,
escritor e empresário na área de comércio exterior,
vive atualmente em Moscou.
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