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A
importância para a qualidade total do vinho brasileiro
Por Ângelo Salton*
Há alguns anos, estávamos eu e diretores da Vinícola
Salton participando de um dos principais eventos de degustação
de vinhos internacionais, em Pedra Azul, no Espírito Santo. No
evento, notei que no estande ao lado do nosso havia uma movimentação
intensa, um entra-e-sai que não terminava nunca. Aí, pensei
comigo: “É o enólogo francês que, com sua
experiência, deu imagem e qualidade ao vinho chileno" - que
estava sendo degustado e provocando todo aquele movimento”. Conclusão
finalizada, chamei de lado o nosso diretor técnico – Lucindo
Copat – um dos maiores enólogos da história da vitivinicultura
brasileira, e comentei com ele que precisávamos produzir um vinho
tinto “top”, que fosse uma referência dentro da indústria
brasileira e nada ficasse a dever aos melhores vinhos de todo o mundo.
Depois de uma longa conversa, chegamos à conclusão de
que a saída era contratarmos um consultor internacional, alguém
que já tivesse larga experiência não apenas na América
do Sul mas também nos países-chave da Europa. Um nome
surgiu naturalmente, indicado pelo próprio Copat – o do
enólogo argentino Angel Mendoza, seu antigo professor na Universidade
Juan Agustín Mazza, em Mendoza. Ele já havia vinificado
23 safras ao redor do mundo. Além disso, durante 25 anos, foi
diretor de uma das mais importantes e antológicas cantinas portenhas
– a Trapiche.
Angel Mendoza veio para o Brasil. Tivemos longas reuniões com
toda a diretoria da Salton, mais Lucindo Copat. A partir daí,
começou uma verdadeira revolução dentro da empresa,
com profundas mudanças que começaram no campo e terminaram
dentro da nossa vinícola. No campo, mudou-se a maneira de plantar
a uva, de adubar, de podar e de colher, sendo que neste último
item a revolução foi total – de um total de 15 mil
quilos de uva que colhíamos por hectare plantado, passamos a
colher apenas 8 mil quilos obtendo, assim, uma uva perfeita, de qualidade
total. Na cantina, foram mudados os processos de vinificação
e amadurecimento dos vinhos tintos, que passaram a estagiar em barricas
novas de carvalho tostado francesas - cujo custo chega, em média,
a 800 euros cada.
Durante todo esse processo revolucionário por que passou a
Salton, foi criado o primeiro produto, fruto da criatividade da dobradinha
Lucindo Copat-Angel Mendoza: o tinto Salton Talento, um corte equilibradíssimo
de 60% de Cabernet Sauvignon, 30% de Merlot e 10% de Tannat que, literalmente,
encantou os mais importantes críticos especializados brasileiros.
Além de elogios rasgados de gente como Jancis Robinson [a única
mulher no mundo a ter um título de Master of Wines] e Enrico
Bernardo [considerado “o maior sommelier do mundo em 2005”].
De passagem pelo Brasil, Enrico Bernardo colocou o Talento em primeiríssimo
lugar frente aos 7 melhores tintos nacionais.
Há pouco tempo eles criaram e nós, com muito orgulho,
lançamos o Salton Merlot Desejo, que vem seguindo a mesma rota
de sucesso do Talento, fato que comprava, mais uma vez, que a contratação
de um Consultor de renome internacional é de suma importância
para dar o plus definitivo aos vinhos brasileiros - principalmente os
tintos.
* Ângelo Salton é presidente da
Vinícola Salton, fundada em 1910 por sete irmãos da região
italiana de Cison di Valmarino.
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