Voltar para página inicial
      Edição 244 - Julho de 2008
 

    Matéria de Capa
    Especial
    Entrevista
    Negócios
Capa da edição


 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
 
   

CPF X CNPJ
Por Alexandrino de Alencar*

Pouco mais de 30 dias depois do acidente aéreo com o vôo 3054 da TAM, partindo de Porto Alegre com destino a São Paulo, roteiro que percorro com freqüência, ainda me pergunto: quantas vezes viajei naquele vôo? Uma parte de mim ficou naquele acidente. Ao receber as primeiras notícias, a reação inicial foi sentir alívio por não estar lá. Em seguida, despertei do conforto, diante das inúmeras ligações que recebi de parentes e amigos perguntando se eu estava bem – na verdade, perguntando se eu não estava lá.

Eu não estava, mas quantos colegas e amigos não estariam? Você quer saber detalhes, saber quem viajava no avião, mas o medo da verdade é intenso...

A primeira informação confirmou que dois colegas da empresa estavam no vôo. Na seqüência, recebi a notícia de que um colega de Associação de Classe também estava. Depois, a filha de um grande amigo me informou, de Porto Alegre, que seu pai havia pegado aquele vôo e que o irmão, que estava em Congonhas, precisava de apoio. Nós, executivos, “seres superiores”, quase infalíveis, aterrissamos na dura realidade da vida, voltamos ao nosso real tamanho. O que fazer? Como aterrissar no mundo dos “mortais”? Que lição se aproveita deste evento?

A tristeza e a impotência afloram rapidamente. Temos que rever nossos valores – ou seja, atrás dos números, dos negócios, das disputas, da estratégia, da competitividade, estão as pessoas. Ouvir a Canção da América, do Milton Nascimento, pelo iPod (recurso do mundo moderno e, na verdade, mais um incentivador do individualismo), me traz de volta. Em momentos como esse, voltamos a pensar, como membros de uma comunidade, que é preciso nos reencontrarmos como pessoas. E foi este o sentimento que tive quando soube da morte do meu amigo Attilio Bilibio, empresário que conheci do outro lado do balcão, em posição antagônica, mas com quem construí uma relação de respeito, uma amizade fraternal e familiar. Neste momento de enorme dor, reflito sobre a importância de perceber, que atrás de um concorrente, de um competidor, de um adversário está uma pessoa, um pai de família e, nesse caso, um grande amigo.

 

* Alexandrino de Alencar é diretor da área de Desenvolvimento de Oportunidade e Representação da Odebrecht

 
Todas as notas
 

 

 
Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo