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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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O crime que compensa
Por Julio Mottin Neto*

Muito se tem falado em reforma tributária no Brasil e que é preciso reduzir impostos para combater a informalidade. O problema da informalidade tomou proporções endêmicas no Brasil e combatê-lo se torna cada vez mais difícil. O governo e a maioria dos formadores de opinião estão tomando a conseqüência como causa e empurrando o problema com a barriga. Não é reduzindo impostos que se faz parar de crescer o mercado informal. Aquele que não paga impostos não pagará independentemente de o valor ser alto ou baixo. Trata-se de uma cultura criada no Brasil, que vem junto com a cultura da impunidade. Hoje, a sonegação é um crime que compensa e a sociedade como um todo contribui – mesmo que involuntariamente – para isso. Quando compramos qualquer mercadoria ou jantamos em um restaurante, e não exigimos a nota fiscal, estamos compactuando com um círculo vicioso, que envolve contrabando, falsificação, violência e... desemprego.

Por isso, é importante que se opere uma mudança de mentalidade. A cultura brasileira do “está tudo bem não cumprir a lei se eu me beneficio” [pagando mais barato pela mercadoria sem nota, por exemplo] é míope, já que não pode ver todo o alcance dessas “pequenas contravenções”. Por isso, é necessário uma ação vigorosa do Estado no sentido de combater a impunidade. Infelizmente, a mudança de mentalidade não ocorre espontaneamente, mas só quando o indivíduo percebe que ganha mais do que perde estando dentro da lei.

 

* Julio Mottin Neto é diretor de marketing da rede de farmácias Panvel

 
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