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Reter
conhecimentos quando a retenção de talentos parece inevitável...
Por Carla Virmond Mello*
Até a década passada, a maioria das empresas apostava
nos resultados individuais de suas equipes para atingir um alto desempenho.
Hoje, esse paradigma mudou. O importante não é apenas
ter equipes formadas por profissionais brilhantes, e sim ter condições
de reter e preservar o conhecimento que elas produzem. Ouso afirmar,
aliás, que reter conhecimento é o principal fator de competitividade
das organizações, atualmente – embora ainda seja
algo pouco praticado por elas.
Recentemente, o presidente de uma multinacional da área automotiva
comentou que um os grandes desafios é entender como o conhecimento
é produzido, armazenado e compartilhado dentro da empresa. Disse
ele que o desafio maior ocorre na área de gerência –
já que, na de produção e manufatura, existem ferramentas
de qualidade que facilitam a retenção do conhecimento.
Concordo com ele. Mas qual é, exatamente, a dificuldade que existe
para se reter conhecimento na área da gerência?
Arrisco levantar algumas hipóteses. A primeira delas é
que, geralmente, as ações adotadas para reter o conhecimento
das equipes de gerência são isoladas. Conhecimento, treinamento
e educação corporativa são vistos como iniciativas
da área de recursos humanos – que é criticada por
não saber agregar valor de maneira tangível ao negócio.
As avaliações de desempenho existem, mas são pouco
educativas. Já os planejamentos estratégicos são
confidenciais. Logo, pouco do que se produz pela gerência é
compartilhado na organização. Aí surgem modismos
como o coaching, que até poderia ser um meio interessante
de expandir conhecimento na organização, mas é
realizado de forma terceirizada – portanto, não funciona
para esse fim.
Já ouvi executivos dizerem que o tempo que os gestores alocam
para o negócio vai ter que mudar. Haverá menos tempo para
as operações do cotidiano e muito mais para atividades
de treinamento, coachs e compartilhamento de informações.
Concordo plenamente, mas isso não é novo no mundo corporativo.
O que parece é que as pessoas não sabem ou não
querem colocar isso em prática. Parece, mesmo, que o velho paradigma
do “quem tem a informação tem o poder” continua
imperando.
* Carla Virmond Mello é diretora da consultoria ACTA! Educação,
RH e Carreira. É formada em Psicologia, com mestrado em Engenharia
da Produção e ênfase em Psicologia das Organizações
– obtido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). –
www.acta.com.br.
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