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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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Reter conhecimentos quando a retenção de talentos parece inevitável...
Por Carla Virmond Mello*

Até a década passada, a maioria das empresas apostava nos resultados individuais de suas equipes para atingir um alto desempenho. Hoje, esse paradigma mudou. O importante não é apenas ter equipes formadas por profissionais brilhantes, e sim ter condições de reter e preservar o conhecimento que elas produzem. Ouso afirmar, aliás, que reter conhecimento é o principal fator de competitividade das organizações, atualmente – embora ainda seja algo pouco praticado por elas.

Recentemente, o presidente de uma multinacional da área automotiva comentou que um os grandes desafios é entender como o conhecimento é produzido, armazenado e compartilhado dentro da empresa. Disse ele que o desafio maior ocorre na área de gerência – já que, na de produção e manufatura, existem ferramentas de qualidade que facilitam a retenção do conhecimento. Concordo com ele. Mas qual é, exatamente, a dificuldade que existe para se reter conhecimento na área da gerência?

Arrisco levantar algumas hipóteses. A primeira delas é que, geralmente, as ações adotadas para reter o conhecimento das equipes de gerência são isoladas. Conhecimento, treinamento e educação corporativa são vistos como iniciativas da área de recursos humanos – que é criticada por não saber agregar valor de maneira tangível ao negócio. As avaliações de desempenho existem, mas são pouco educativas. Já os planejamentos estratégicos são confidenciais. Logo, pouco do que se produz pela gerência é compartilhado na organização. Aí surgem modismos como o coaching, que até poderia ser um meio interessante de expandir conhecimento na organização, mas é realizado de forma terceirizada – portanto, não funciona para esse fim.

Já ouvi executivos dizerem que o tempo que os gestores alocam para o negócio vai ter que mudar. Haverá menos tempo para as operações do cotidiano e muito mais para atividades de treinamento, coachs e compartilhamento de informações. Concordo plenamente, mas isso não é novo no mundo corporativo. O que parece é que as pessoas não sabem ou não querem colocar isso em prática. Parece, mesmo, que o velho paradigma do “quem tem a informação tem o poder” continua imperando.

 

* Carla Virmond Mello é diretora da consultoria ACTA! Educação, RH e Carreira. É formada em Psicologia, com mestrado em Engenharia da Produção e ênfase em Psicologia das Organizações – obtido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). – www.acta.com.br.

 
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